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"Toda noite escura carrega em si Luz Divina" BERT HELLINGER

"As noites escuras da alma são os sofrimentos pelos quais passamos e que nos chegam independente da nossa vontade.

O que depende de nós é estarmos abertos, humildes, para quando eles chegarem podermos transitar pelos mesmos sem sucumbir.

Estes sofrimentos nos tornam mais humanos, mais compassivos e mais amorosos". OLINDA GUEDES

Sistemicamente entendemos que as psicoses não são o sofrimento de um indivíduo, mas sim de todo um sistema familiar. Por trás das mesmas existe extenso cenário de sofrimento e dor que grita por socorro.

Uma esquizofrenia, normalmente, encoberta uma morte "em segredo".

Quando a pessoa sofre e a família como um todo fica desnorteada, é preciso incluir, ao mesmo tempo, tanto a vítima quanto o agressor em seu próprio sistema. A solução é que ambos recebam novamente um lugar na família.

Isso acontece na terapia pelo método da "Abordagem Sistêmica das Memórias Inconscientes". Quando a memória é descortinada e o agressor e vítima são colocados frente a frente, onde é feito o ritual de respeito mútuo e se tomam, ambos se incluem no sistema.

Esse é o "movimento da alma', que vai além do nosso entendimento e nos conduz a outra dimensão, na qual quando se olha para o outro, todos têm o mesmo lugar e a mesma importância..

Fazem parte das noites escuras os traumas. Neles existe uma diferença fundamental, por um lado a exposição a uma ameaça e a perturbação emocional daí derivada e, por outro, as possibilidades de ação da pessoa para se proteger. Os traumas do inconsciente funcionam como imã que atrai as possibilidades de doenças psíquicas graves.

Podemos tipificar quatro tipos de traumas: 

a) Traumas existenciais: pode ocorrer durante a fecundação, gestação, tentativa de aborto, rejeição e fatores traumáticos até 7 anos. Como sintomas encontramos muitas vezes, medos intensos e síndrome de pânico, ansiedades, vícios de drogas e álcool;

b) Traumas de Perda: quando uma pessoa sofre a perda de um vínculo psíquico muito importante para ela, exemplo a morte da mãe de uma criança, cônjuge ou rompimento de um vínculo amoroso. Como sintomas, na maior parte das vezes, aparecem as depressões graves;

c) Traumas de vinculação: a necessidade de vínculo de uma pessoa é traumatizada, pelo que não pode mais entregar-se emocionalmente a vínculos humanos, exemplo: abuso de filho pelo próprio pai. Neste caso constatamos comportamentos como Distúrbios de Bordelaine da personalidade, "auto mutilação";

d) Traumas de vinculação sistêmica; são os mais graves. Neste caso, todo um sistema de vinculação, por exemplo: uma família é traumatizada por determinados acontecimentos como incesto ou assassinato de um familiar. Esses traumas estão  associados com estados de perturbações psicóticas.

Para superação de um trauma é necessário que se estabeleça uma distância em relação a vivência traumática e encontre uma regra de sobrevivência para que a pessoa não recaia na mesma situação.

As intervenções mecanicistas de emergência dissocia as percepções, os sentimentos e os pensamentos e reduz assim a energia do trauma.

 A dissociação da memória do trauma permite que a percepção consciente e o pensamento fiquem livres para assegurar a sobrevivência. As emoções provocadas pelo trauma são afastadas da memória superficial do inconsciente, ficando armazenadas nas suas camadas mais profundas. Sendo assim, o mesmo continua a existir no corpo todo ou em partes dele funcionando como uma bomba-relógio.

Normalmente as memórias traumáticas dissociadas são entregues aos descendentes de forma inconsciente, como uma herança muda. Essas memórias perduram por dezenas de gerações e têm uma influência significativa na psique individual de cada pessoa, mesmo que ela venha a nascer anos depois do acontecimento traumático ter sucedido.

As memórias inconscientes tornam visível como os seres humanos estão ligados dentro de um sistema de vinculação e emocionalmente dependentes uns dos outros de muitas formas. Mostra o caminho que, sobretudo, os sentimentos e pensamentos doentios se instalam e tomam o interior da pessoa, numa espécie de um sistema circular repetitivo plurigeracional, ou seja, alcançando várias e várias gerações.

Outro aspecto a ser considerado são os vínculos, criados sobretudo pela descendência biológica e pela sexualidade. São marcados por sentimentos fortes como o amor,, o medo, a raiva, o orgulho, a vergonha ou a culpa. Os vínculos se estabelecem sem um esforço consciente das pessoas em questão, e muitos casos de psicoses de violência têm suas raízes nos vínculos de ódio pelo agressor, e uma vez estabelecidos, oferecem resistência à sua dissolução.

A possível perda de um vínculo provoca medo e os mesmos ficam protegidos contra a sua dissolução arbitrária pelo fato de a separação criar uma  forte dor, mostrando uma grande desordem nas 'Ordens do Amor'.

É através dos vínculos que se estabelecem as estruturas básicas transgeracionais da convivência humana, podendo causar um grande mal a dezenas e dezenas de gerações..

 

"Grande parte do que nos acontece, não depende de nós, mas sim daquilo que os nossos ancestrais fizeram antes, muito antes de nós, só colhemos os frutos.

Somos consequência dos nossos ancestrais.

O que determina o que estamos fazendo agora, a maneira como tocamos a vida, lidando com a realidade determina muito mais a vida dos nossos descendentes que a nossa própria vida ".   Olinda Guedes

 

Zalmiak

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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