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Vamos falar de amor?

Vamos falar de amor?

Ah o amor!

Como diria a mestra Olinda: "Que gostosura!"

É? Nem sempre.

Fernando Pessoa em seu poema "Autopsicografia" traz uma das melhores definições de emaranhamento que já li:

O poeta é um fingidor

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

 

E os que leem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

 

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

 

Em suma, não sentimos só a nossa dor, mas, sim, dores de nossos antepassados, uma vez que em nosso coração podem estar as dores do sistema. E, enquanto não tomarmos a devida consciência disso, o processo de cura se prolongará durante as gerações.

Indago-lhe: "Como curar, então, os emaranhamentos?" Respondo-lhe: "Com amor".

Sim, o amor é a causa e o antídoto da lealdade.

O próprio Camões já falava que o amor é um sentimento contraditório:

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Somente pelo amor há de se curar a lealdade? Não. Temos a via da dor e a do conhecimento também.

Porém, todas elas vão desembocar no amor.

Naquele amor romântico? Afetuoso? Cheio de carinho?

Não, no amor com respeito; amor empático.

Naquele sentimento que você se coloca no lugar do outro, pode vir a entender o porquê das suas atitudes, mas, ao final, você tem o direito de escolha de afastar da situação ou da pessoa que lhe fez mal.

Relações tóxicas, abusivas, comportamentos inóspitos, lembranças tristes, nada disso precisa se fazer presente na vida da pessoa. 

Afinal, o amor que deve prevalecer é o amor próprio. 

E o nosso amor próprio está ligado com as gerações anteriores e com o nosso "agora"; com a consciência de que "aquela dor não me pertence" e "eu sendo feliz e próspero já é suficiente para eu sentir que pertenço à família", não é necessário eu reviver as dores, traumas e vícios dos meus antecessores.

 

Ame, ame muito, mas ame com responsabilidade e empatia, e se ame em primeiro lugar.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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