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VÍNCULO DO AMOR INTERROMPIDO. NOSSAS CRIANÇAS

VÍNCULO DO AMOR INTERROMPIDO. NOSSAS CRIANÇAS

Quando eu tinha 6 anos nasceu o 5º filho dos meus pais, Carlos Alberto.

Eles já haviam perdido o 1º filho na hora do parto. O meu 4º irmão faleceu quando tinha 2 anos, foi a maior dor eu senti. Lembro-me de ter ficado por mais de um ano chorando escondida e rezando para que Papai do Céu me deixasse ir para perto do meu irmão.

Eu nunca falei sobre isso com os meus pais, eles já haviam choraram tanto pela perda do maninho! O tempo passou e eu vi várias crianças da minha família partirem, primos, sobrinhos, um neto.

Eu sempre senti um medo muito grande que algo acontecesse com os meus filhos durante a minha gravidez ou parto, tive princípio de aborto nas duas. Meu segundo filho nasceu roxo pois estava se forçando no cordão umbilical.

Hoje estou com 52 anos, meu filho mais velho tem 35, o caçula tem 30 e o meu filho mais jovem, do coração, tem 15. Nunca tive nem sequer um aborto mas lembro-me como era grande o meu medo.

Eu creio que esse vínculo do amor interrompido seja trans geracional pois a minha querida vó pariu 15 filhos mas só conseguiu criar, além dos dois anos de idade, 4 filhos, duas meninas e dois meninos. Minha mãe e meus tios perderam além dos primogênitos, outras crianças, meus primos e primas de parte materna, minha irmã e meu filho mais velho também perderam os primogênitos.

Eu me recordo que quando era criança sentia muita tristeza quando pensava na quantia de bebês que minha vó havia perdido, eu ainda era só uma criança mas ficava triste, muito triste.

Ainda hoje sinto uma perto no peito, como se a vida das crianças estivesse em constante risco.

Estudando as Constelações busquei mais informações sobre a origem da minha família e de todo esse sofrimento com as crianças. As descobertas foram dolorosas, a minha bisavó foi uma índia pega no laço, meu vô, filho dela, ficou órfão de mãe aos dois anos, minha vó materna ficou órfão de mãe aos dois anos e o meu pai também ficou órfão de mãe aos dois anos.

Foram muitas as mães que partiram cedo e muitas crianças que não vingaram. Quando comecei a olhar para todos o meu peito se acalmou.

Sinto no meu coração que agora as nossas crianças podem ficar porque as mães também estão aqui. Eu sinto muito por todos que não puderam ficar! Sinto muito por cada criança que ficou órfã e por cada mãe que chorou com seu colo vazio.

Eu sinto muito!

Sou muito grata por ter ficado aqui e por ter tido à quem dar meu colo tão cheio de amor! Gratidão por esse sistema ao qual pertenço, honro e olho hoje com tamanho amor e respeito!

A vida fluiu pelo preço que custou à cada um e por isso sou infinitamente grata!

Agora as nossas crianças podem ficar e serem acolhidas nos braços de suas mães, ganharem os colos que tanto esperaram e todo o amor que elas guardaram por todo esse tempo.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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