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Você diz que seus pais não lhe entendem, mas você não entende seus pais. Renato Russo

Você diz que seus pais não lhe entendem, mas você não entende seus pais. Renato Russo

“Tudo o que dorme é criança de novo. Talvez porque no sono não se possa fazer mal, e se não dá conta da vida, o maior criminoso, o mais fechado egoísta é sagrado, por uma magia natural, enquanto dorme. Entre matar quem dorme e matar uma criança não conheço diferença que se sinta”.
(Fernando Pessoa)



Constelar é fazer pesquisa sobre a história de nossos pais e nossos avós. 

Fiquei de compartilhar aqui no blog saber sistêmico, como era a infância de nossos pais e avós. E aproveito para compartilhar algumas percepções, sobre a minha experiência no primeiro módulo presencial de formação avançada em constelação de destino- análise transacional, aplicada às constelações sistêmicas.

Esse módulo trouxe a luz várias dinâmicas, e anomalias relacionados aos sofrimentos ligados a infância. 

A ideia de que nascemos príncipes e princesas e nossa família nossa escola e sociedade, nós transformaram em sapos é no mínimo muito curiosa não?

Por que nós trazemos conosco o sentimento de orfandade? Você já pesquisou a história de sua família?

Para mim está sendo de extrema importância, a ferramenta da análise transacional aplicada abordagem sistêmica, este estudo aponta ensinamentos muito valiosos, cujo valor é imensurável. 

Imagine você de repente perceber que existe a possibilidade de fazer diferente, dentro de seu destino. Redecidir seus scripts de vida. 

Acessar todas essas informações está trazendo uma visão bastante ampla no que diz respeito, a gravidade das violações das leis do amor, segundo que Bert Hellinger.

Entendi que a falta de respeito com os princípios da ordem, lugar e hierarquia, causaram ao longo de séculos, vários emaranhamentos sistêmicos, e o principal mais afetado é o sistema familiar. 

Existem padrões de comportamento emocional, muito doentios que foram herdados de vínculos familiares, que estão sendo repetidos por várias gerações através de consciência arcaica. 

As leis que são transgredidas exclui e abate o lugar das crianças no sistema familiar, infância, é banida. Excluída, sem amor, sem consciência, sem precedentes. 

No sistema mais antigo, no século passado ninguém enxerga as crianças. Nem a família e nenhuma instituição.

As crianças não tem direitos e muitos deveres. São brutalidade escravizadas. 

Então nossos avós tiveram suas infâncias ceifadas. Eles nem sabem o que era infância. Na época de nossos bisavós era até feio ter filhos. Por isso essa geração atual se encontra em uma ansiedade, generalizada, se essa fase do desenvolvimento humano é desrespeitada, o resultado vai mostrar uma pessoa que carrega muitos estigmas a nível comportamental e espiritual.

Lendo este livro do autor Felipe Áries descobri o porque nossos pais se tornaram adultos traumatizados.

Faça a experiência, escute algumas pessoas mais velhas, pergunte à elas se ela pode contar um pouco a história da infância de seus pais. 

É preciso muita compaixão, porque nossos ancestrais não foram tratados como seres humanos. Dignos de suas infâncias e inocência. 

As crianças eram vistas como um corpo estranho na família. Por essas e outras que a prática de abusos, e entre outras atrocidades, eram consideradas comuns naquela época. As crianças eram vistas como um adulto em miniatura. Lembra dos primeiros registros das vestimentas das crianças vestidas com terno e gravata?

O que se mostrou muito fortemente, através das constelações nas vivências em grupo, foi um sentimento muito profundo eu diria até antigo de perda. Perdeu-se a infância, a inocência, a dignidade. 

Importante salientar que todos esses ensinamentos que mestre Olinda Guedes nos abastece, vieram a calhar com o momento histórico que estamos vivendo, não só no Brasil, mas no mundo todo. Por isso é chamado de pandemia Covid19.

Que nos convida a ficar em casa. Nos colocou em um guerra invisível. É o enfrentamento de um período de isolamento, onde as pessoas são convidadas a conversar, conviver, para sobreviver. Para mim, parece mais um movimento sistêmico de e recuperação da própria identidade, voltar para casa. E se regenerar. É pura física quântica. É tudo um grande agora.

Precisamos resgatar nossos laços familiares, nossos valores, e nossas memórias de sobrevivência ancestral. 

Antigamente o pai era o proprietário, a mãe administradora dos afazeres domésticos e o filho primogênito preparado para assumir a propriedade e dar continuidade ao legado do pai. Fazendo com isso que os outros filhos ficassem esquecidos, e os abortados, os doados, os esquecidos, os assassinados, os natimortos não eram contados, sem certidão de existência eram todos excluídos... essas informações são muito valiosas dentro do campo morfogenético.

Existe uma metáfora que diz assim: O alheio chora o seu dono.

Não eram vistos com importância, isto quando, as crianças não morriam em um período que a mortalidade infantil eram em altos indicies. 

Muitas crianças se tornaram adultos de forma precoce.

Isto não só mudou a sociedade como a família mudou em sua forma de pensar, de lidar com a propriedade por conta do engrossamento da camada social com o surgimento da burguesia. Então falar de infância, de incluir as crianças como seres humanos na sociedade, pensar e discutir políticas públicas, para dar lugar, respeitar as crianças, é algo muito novo, aliás é muito recente. 

Nossos ancestrais europeus que vieram para o Brasil, não só viviam da terra, mas de obras artesanais, inclusive da arte que no período medieval por conta da falta de conhecimento da língua escrita era produzida em grande escala para interpretação da vida religiosa. 

O Cristianismo vem com o pensamento religioso, que foi algo muito além da realidade do período, foi através das imagens do menino jesus Cristo na manjedoura, que iniciou o processo de familiaridade com a criança e a infância. 

Neste contexto o modelo judaico cristão trouxe um novo olhar para as crianças, porque *jesus em uma de suas falas,  disse vinde a mim todas as criancinhas* .

E ocorreu na época moderna que através de uma religião alguns conceitos foram moldados, diferenciando assim a criança do adulto.

Então só foi no século passado, através da igreja que começou retratar processos do cotidiano familiar que reflete uma família moderna, onde o pai e o filho, a mãe aparecem juntos, despertando assim a percepção de uma maneira particular de relacionamento. Principalmente a respeito da criança que por muito tempo havia sido esquecida em todas as formas de representação. 

Toda estas formas de representação familiar, social, escolar e do ensino, representaram um comportamento que pode ser identificado em dois períodos conhecidos, como o medieval e o moderno, o comportamento do adulto em relação à criança um de haver infância e o outro de perceber esta criança.

Com a transformação da família moderna ocorre o estreitamento dos laços
afetivos, ou seja, os pais deixam de ser apenas um grande proprietário e passa a ser o pai o protetor da família e a mãe gerente dos afazeres domésticos.

Aquela que distribui as tarefas passa ser a mãe que amamenta, que põe o filho para dormir... o filho antes esquecido na sociedade tende a ser um tipo de adulto em miniatura agora, era o protegido aquele que vai garantir a existência da família por conta dos cuidados que à ele está sendo dispensado. 

A afetividade parece ter se tornado a marca da família moderna que ao contrário da família medieval seus laços familiares eram frouxos quanto à afetividade, mas voltado para interesses de propriedades e escravidão sem muito entender, de afetividade.

O que leva-nos a compreender que o sentimento de infância moderna é uma representação da transformação de uma sociedade que passa de feudal para
burguesa, e aqui no Brasil senhores e escravos. 

E essa mudança leva também a mudança dos sentimentos familiares com relação à infância, estas mudanças não se dão de forma natural mas é um processo construído a partir da mudança da forma de pensar a economia as riquezas e a educação, também com a maneira de se relacionar com estes. 

A educação era utilizada no período medieval para produzir adultos, e no
moderno educar as crianças para uma vida própria de infante e chegar a fase adulta passando pelas fases das idades.  

O que foi um instrumento também de transformação até da família contribuindo em
uma boa formação do indivíduo infante. 

Não ocorreu no período medieval tanto uma educação apropriada nos moldes modernos e uma família como tal porque a sociedade se conservou por muito tempo influenciada por uma consciência religiosa que só mudou sua forma geral de controle por motivos externos já conhecidos na história 

Portanto, infância é fruto de uma família afetiva.

E com os avanços tecnológicos, a informação e conhecimento faz de nós uma geração um tanto confusa.

Somos o pássaro que viveu sorrateiramente sob as grades que ganha liberdade. Mas não sabemos muito sobre voos.

Não sabemos muito como agir e lidar com nossa família, e com nossa sociedade. 

Talvez precisamos voltar e na infância e resgatar nossa majestade, nossa infância ancestral, está a espera em um amor que nunca se cansa.

 

Débora Carvalho

Pedagogia sistêmica. 

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Débora Carvalho
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Abrace a sua vulnerabilidade e faça dela a sua maior força. É bonito demais sentir.

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