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Yin & Yang x Homem e mulher

Yin & Yang x Homem e mulher

Hoje, enquanto escrevo essas linhas, é 8 de março, dia internacional da mulher. Eu nem tinha pensado em escrever algo para falar sobre o tema. Confesso que nunca dei muita bola para dias comemorativos, com exceção dos aniversários (meu e das pessoas que eu amo). Porque eu acho que um dia específico por uma causa, seja ela qual for é pouco. Tudo bem que é melhor do que nada. Mas, a verdade é que é pouco. Já em casos de aniversário seria demais comemorar todo o mês, imagine todo dia, hehe.

Então, eu sou da opinião que todo o dia é dia de comemorar algo, fazendo alguma coisa por esse algo. Mudando um conceito, aprendendo alguma coisa nova sobre o tema, fazendo a diferença, mas sempre no dia a dia. É ser aquilo que acreditamos em ação. Discurso é coisa bonita. Afinal, é exatamente isso que estou fazendo aqui e agora. Mas, nunca é o suficiente quando precisamos reivindicar direitos por tantas coisas.

Mas, eu vim aqui mesmo para falar do feminino, e não apenas de mulheres. E também do masculino. Porque o feminino, o Yin, é uma parte que constitui aquilo que forma o Universo (pelo menos na visão Taoísta). Então é isso, somos Yin e Yang, somos o feminino e o masculino em ação. Não poderia ser diferente. Porque o Yin sem ação seria algo inerte e o Yang sem receptividade seria pura agressão.

Mas, o que quero dizer com isso? Que a separação que divide a vida em classes, categorias, trincheiras começa na divisão inexistente entre o Yin e o Yang, ou entre anima e animus, ou qualquer outro termo que possa classificar as energias que formam a vida. E reparem, não falei em homem ou mulher (até agora, hehe).  Não se comemora efetivamente o dia do homem, por exemplo, e para alguns (umas) isso já seria desaforo demais.  E nem eu sugeriria isso, uma vez que constituiria em mais uma divisão. 

Se todos fossem olhados como iguais nos direitos, deveres, preferências ou qualquer outro item, não haveria luta de classe, guerra dos sexos, partidos políticos, castas ou o diabo a quatro, dividindo a vida em categorias. Mulheres seriam plenas, homens seriam plenos, animais seriam plenos, plantas seriam plenas, minerais seriam plenos, e até os recicláveis seriam plenos.

Mas, não é assim. O que me levou a escrever esse texto hoje, nesse dia específico, um dia de comemorações, reivindicações e outros manifestos, foi perceber que no momento a reivindicação maior é a indignação das mulheres contra outras mulheres que se "mostram" mais machistas que os próprios homens. Não esquecendo que o machismo existe desde que o mundo é mundo.

É preciso que o ser humano, que antes de ser mulher ou homem é vida, entenda que dentro de si existe uma parcela da energia Yin ou Yang. Que somos as duas coisas e não estaríamos aqui se assim não fosse. Se você é externamente homem, é internamente Yin (e de novo não estou usando o termo mulher), e se você é externamente mulher é internamente Yang. E tudo bem que seja assim. Aliás, que lindo que é assim.

Eu sempre gostei da ideia de ser mulher, e confesso que venho numa luta particular por afirmar na vida o meu lado masculino. E isso compartilho com muitas outras mulheres, assim como muitos homens têm essa mesma luta com seu feminino. Mas, o masculino de uma mulher não é sair por aí competindo com os homens, embrutecendo-se ou reivindicando nas ruas o seus direitos. Assim como não é também um homem perder sua virilidade, deixar de usar sua força, ou deixar de gostar de futebol (isso foi uma piadinha). E não porque seja errado lutar por isso, apenas porque não funciona.

E por que não? Você perguntará (talvez até fazendo uma cara zangada). E eu respondo: Porque dentro de você está a negação daquilo que você mesmo (a) reivindica. Não precisamos projetar fora de nós aquilo que está em equilíbrio dentro. Se cada mulher usar o seu Yang, poderá se empoderar como mulher, porque poder em ação é Yang. E se todo o homem usar o seu Yin, poderá se afirmar como homem, porque expressar emoções é Yin. E todos nós precisamos ser poderosos e ser emocionais.

Eu sei que falar é fácil. Eu mesma considerando todas as dificuldades de ser uma mulher no mundo de hoje, ainda acho que ser homem é mais difícil, porque como um ser feminino eu posso manifestar minhas emoções, mesmo passando por mulherzinha, histérica, molenga ou outras coisas. Mas, sair para a vida sem ter sido preparada para isso, está me custando caro. 

O fato é que a força do Yang, do masculino e por fim do homem, como sua expressão material precisa da emoção, haja vista a quantidade de homens infartando todos os dias. E é fato também que as mulheres precisam acreditar que a força do seu Yin, o amor incondicional é capaz de mudar o mundo. Porque o Yin ama e o Yang coloca o amor em movimento.

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Simone Belkis
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Simone Belkis se formou em Letras na UFPR. É uma estudiosa do esoterismo e cantante. Seu amor maior são os livros. Escrever é sua forma de criar o famoso mundo melhor, e sua praia é contar suas próprias descobertas para inspirar pessoas.

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