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AS NOITES ESCURAS

AS NOITES ESCURAS

Querida Olinda, passar por esse módulo de formação e de cura pessoal de fato não é uma tarefa fácil.

Abrir as caixinhas onde guardamos noites escuras pessoais e de nosso sistema é dolorido, ainda que a tarefa seja realizada com amor e compaixão, como você propõe.

Os dias de inquietude decorrem não apenas pelas lembranças das noites escuras referente aos surtos psicóticos de meu paizinho que trouxeram muito sofrimento para ele e para nós que estávamos fielmente ao seu lado,  mas também do emergir de um corpo de dor que parecia adormecido.

As lembranças do sofrimento de meus pais, que enfrentaram problemas tão graves de saúde em seus últimos meses de vida, das internações, do cenário de hospital, das palavras de desesperança dos médicos, dos resultados desfavoráveis de exames, enfim, tudo que vivemos me trouxe à tona o medo de adoecer, que parecia de alguma forma já ter sido resolvido.

Desde menina, carrego esse medo de ouvir o pior, o diagnóstico de uma doença grave, a necessidade de tratamento hospitalar para mim e para minha família.

Os exames de meus pais mostrando fibrose pulmonar e câncer soaram como o cumprimento de uma profecia de algo que temi a vida toda, não sei explicar o porquê.

Até então não era condizente com o contexto.

Não conheço em minha família de origem, nem presenciei sofrimento parecido antes, mas ele sempre esteve lá, em minha mente, me dominando.

Me recordo que aos 7 anos de idade chorava pelo medo de que minha mãe se fosse e naquela época pedia a Deus para ir antes dela.  

Hoje, depois de iniciada a busca pelo conhecimento, e com as informações que tenho obtido no decorrer deste curso, acredito que mexer nessa dolorosa ferida pode ser feito com a consciência livre de muitos entraves.

Mas realmente não é fácil, afinal, deserto é deserto, o sol forte castiga mesmo se levarmos conosco um tanto de água. Olhar para as noites escuras de meu sistema, torna o momento de lidar com isso tudo ainda mais desafiador.

Ainda não sei ter empatia sem absorver a dor. Pelo pouco que conheço da história das vidas de meus antepassados, sei que foram tantas noites sem luz... Na verdade, quase não vejo dias claros, por mais que busque encontrá-los.

Mas que bom que estou tendo essa oportunidade de fazer esse enfrentamento. Gratidão Deus pai e obrigada Olinda por nos colocar esse desafio de forma tão amorosa.

Que a luz divina possa ser sentida por todo esse sistema.

Para finalizar, gostaria de fazer uma pergunta, professora querida:

-Quando pessoas de nossos sistemas carregam fardos pesados que resultam em doenças graves que não são curadas, podemos dizer que de certa forma os emaranhamentos que levaram a esses sofrimentos foram resolvidos?

-Ou essas questões seguem em aberto e acrescidas por memórias de mais sofrimento?

Gratidão!

 

Constelações Sistêmicas

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Shirley Martins Menezes Svazati
Shirley Martins Menezes Svazati Seguir

Sou professora e pesquisadora. Apaixonada por desenvolvimento humano.

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