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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

Queridos antepassados, o que sei de vocês não é muito, mas uma coisa é certa: tenho muito orgulho do sobrenome que carrego. Sei que os Ximenes Aragão vieram da Espanha e os Melo vieram de Portugal para o Brasil, aportando primeiro em Pernambuco e depois foram para o Ceará, especificamente para Ibiapina, Sobral, Santa Quitéria e Groaíras.

Imagino as condições inóspitas desta viagem, quantas dores pelos que ficaram para trás, quantos desafios e perdas enfrentados por vocês para desbravar o alto Sertão do Ceará, quantas secas, talvez fome e doenças vocês vivenciaram!

A vocês minha eterna gratidão por terem me trazido a vida!

Meus queridos avós, tenho doces e ternas lembranças do aconchego da casa de vocês. Amados avós paternos, Padrinho Fulô (Lourenço) com sua mansidão ímpar, madrinha Chiquinha que não conheci e que durante muito tempo não sabia de sua existência, visto que quando nasci ela já havia falecido – eu a vejo e a incluo – incluo também o bebê que você perdeu tragicamente. Madrinha Clotilde, segunda esposa de Padrinho Fulô, a paciência em pessoa, lembro-me da surpresa que tive quando descobri que não era minha avó biológica, tal era o carinho que tinha conosco.

Amados avós maternos: vovô Beltrão (que era tido como bravo pelos de fora e que para mim era puro amor) e vovó Rosa (que fazia um prato, amassava a comida e nós os menorzinhos ficávamos ao seu redor recebendo nossa porção de amor – a cena lembra um pássaro no ninho alimentando os filhotes).Viviam com a casa cheia de filhos e netos.

Brincávamos de tudo em sua casa.

Era um entra e sai de criança correndo, gritando, subindo em árvore e não ouvíamos uma reclamação deles.

Queridos Papai e Mamãe, sinto uma alegria tão grande em saber que fui muito desejada e esperada por vocês – alguns parentes me relatam inclusive que eu era a preferida de minha mãe. Não entendo como preferência, mas uma forma dela sublimar o medo tremendo de perder mais um filho, visto que eu nasci após a perda consecutiva de três bebês.

Querida mamãe, quando você faleceu tudo foi muito difícil, além da saudade – sentimento incompreensível para uma criança de quase 5 anos, cada um de nós tomou um destino diferente. Os meus irmãos ficaram com avós e tios... todos convivendo de certa forma. Eu fiquei a mais distante. Perdi você e perdi minha família. Gratidão ao Anjo que me criou (a quem eu chamava de Madrinha porque não conseguia chamá-la de mãe, como era seu desejo – perdão Madrinha e muita gratidão a você.

Querido papai como você me fez falta. Depois que você me deixou na Madrinha dizendo que íamos apenas buscar minha irmã que estava lá e não voltou, foi muito duro conviver com a sensação de que eu fui enganada...me perdoe meu pai por tê-lo julgado e sentenciado com uma pena tão severa de exclusão. Houve um tempo em que me sentindo excluída, exclui todos vocês – e de fato vocês nunca me excluíram. Racionalmente eu compreendo sua atitude, você queria o melhor para mim.

Imagino o quão difícil tenha sido pra você tomar esta decisão.

Ouvi da Profa. Olinda que o “amor traz de volta”.

O tempo passou ...estudei, fui morar em outro Estado, casei, mudei para outro Estado, fiquei viúva e casei novamente, me dei conta que foi assim com você, dois casamentos e que vocês viviam mudando de casa.

A última vez que estivemos juntos, em 1997, foi diferente e muito especial. Meu coração estava mais aberto e aquele almoço na sua casa foi inesquecível. Além da alegria do reencontro, trago em meu coração algumas lembranças do feliz dia:

1- Um  conselho seu que nunca esqueci – quando pedi para você intervir junto a um primo influente para arranjar um emprego para mim, você abanou a cabeça, deu um sorrisinho e disse “filha, peça para quem tem pra dar” ao que eu retruquei “ora, se um dos homens mais influente do Estado não me atender, eu vou pedir pra quem?”, ele respondeu apontando para o céu “pra ELE” – eu fiquei num misto de vergonha e admiração tremendo...e foi assim: pedi e ainda peço para Deus – Muito obrigada meu pai, você me ensinou a ter fé, honra e amor próprio;

2- sai de sua casa com algumas anotações sobre meus avós e bisavós (um presente).

A todos vocês desde os meus pais até o início (os conhecidos e desconhecidos para mim) eu os vejo com os olhos da alma, os incluo no meu coração e os honro! Amo vocês!

Muita gratidão a todos vocês!

Constelações Sistêmicas

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