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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

 

Aos Meus Antepassados: a todos que vieram antes de mim.

Como seria bom ver todos juntos, olhar para cada história, aprender e conhecer com cada um. Pelo menos até a sexta geração antes.

Aos meus avós maternos, de quem menos lembro...

Meu vô deixou esse mundo de repente, ainda na mesa de jantar, minha mãe foi quem correu a pedido de minha vó para chamar socorro. Pequena Dadinha, correu em vão. Naquele sítio, onde tudo ficava longe. Minha avó que ao se casar se viu mãe de seis de uma vez, filhos do primeiro casamento de vovó, que com ele teve mais duas filhas. Talvez contrariando sua mãe, naquele tempo se casar com um viúvo com seis filhos não devia ser o sonho de seus pais. Mas minha avó se casou e pelo que mamãe conta, todos gostavam e se entendiam muito bem com vovó. Alguns dados se perderam pelo caminho, pois tinham posses, mas viúva e sem entendimento foram tomadas algumas terras.

Meus avós paternos:

Queria muito ter conhecido meu vô Adel, que se foi 15 dias após meu nascimento, minha avó Laura viúva, vinda do interior, órfã ainda pequena, filha de dono de engenho, ficou sob tutela e perdeu as posses, teve cinco filhos, meu pai Fernando, o caçula, veio após um natimorto, o menino tão esperado depois de três mulheres. Gostaria de ter perguntado ao meu avô de onde veio seu nome, Adel. Que mais tarde deu a sua primeira filha seu nome escrito ao contrário, Leda. De onde veio essa ideia?

O meu, Fernanda, eu sei. Meu pai queria muito um menino, já tinha duas meninas, mas vim menina, e como seria a última com minha mãe, recebi seu nome no feminino. Contrariando minha tia Lêda, que insistia que daria azar. E passei a vida escutando dela: Você não tem sorte no profissional e no financeiro porque recebeu o nome de seu pai, que também nunca teve sorte. Que peso. E eu vim, a caçula de Ednalda e Fernando.

Oh pai, como seria diferente hoje. Minha busca incessante desde a adolescência à procura de consultório de psicologia, para entender, por que nasci sem gostar de papai. Era o que eu dizia e sentia até alguns anos atrás. Como uma criança que tem vontade de beijar e abraçar um pai que nunca nem levantou a voz, que me tratava como princesa. Como? Vinha de outras vidas? Seria pelo fato de minha mãe ter descoberto uma traição aos oito meses de minha gestação? Seria essa dor que minha mãe sentiu que me coloquei infértil para a maternidade mesmo os médicos me assegurando de que não tinha nada.

Bom, hoje o abraçaria sim Papai, me coloquei num lugar que não me cabia. Absorvi uma dor que não era minha. Hoje minha cabeça e minha garganta doem, pelo choro que vem com a lembrança que não o tenho aqui perto para poder recuperar e viver o que não tive.

Me arrependo também por ter negado já adulta, meus dois irmãos, que vieram depois da separação com minha mãe. Olhando meus pais e avós, quantas dores, quantas histórias, encontros e desencontros. Há muito a ser curado, a ser colocado no lugar, a ser apaziguado.

Se chegou a mim é porque dou conta. Continuo à procura de aprendizado, de cura, de evolução. Ainda me sinto engatinhando, mas tenho em mim a força de todos que vieram antes de mim, e não são poucos. Dos guerreiros, dos lutadores, dos sábios, dos Nordestinos, todos que estão aqui dentro de Fernanda Maria Freire de Amorim.

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