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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

Meus queridos antepassados.

Tenho andado acompanhada pelos pensamentos e preocupações de muitos, mas libero-os daquilo que sentiram e direcionam a mim pensando instintivamente que me protegem.

Compreendo o medo da solidão, do sentimento da mata fechada, do poder do homem branco que aprisiona uma índia até que ela desista de fugir para forçosamente aceitá-lo, histórias que como essa são contadas por minha vó, que ouviu da mãe dela e que repercute em minha alma.

Respeito o medo da doença, de imaginar que adoecerei e morrerei sem cura e sem esperança, observem, não estamos sozinhas.

Respeito o pensamento que tenho, que preciso ser  forte sempre e não desmoronar diante das necessidades que surgiram e pelos inúmeros percalços e tristezas que as mulheres de nossas famílias passaram.

Abusos, violências, submissão, mas que hoje com o perdão que existe em mim, com a mesma coragem dos nossos ancestrais, utilizo a energia da cura, da fortaleza, dos mistérios ocultos, para nos liberar de toda energia que nos trava a evolução e nos aprisiona o sentimento, nos libertar dessas correntes invisíveis, eu as sinto, eu as honro e eu as amo.

Compreendo a limitação de amar da minha mãe, sem olhos de julgamentos, não cabendo a mim qualquer repreensão, ela também faz parte dessa energia que reflete nas águas mais profundas do seu ser, mãe eu te amo!

Repercute o gemido abafado, o choro dolorido, a angústia dilacerante de todas aquelas que pensaram que a única saída, que o único remédio para toda dor, era o extermínio da própria vida. 

Eu as vejo, eu as sinto, sinto toda a dor e enxergo a necessidade de paz, eu as compreendo.

Essas palavras de amor e respeito direciono a não somente as mulheres que vieram antes de mim, mas as estruturas patriarcais que se levantaram na nossa família, que não sabiam ainda o que era a essência do amor e que ele sim o amor era a maior força do qual poderiam utilizar para vencer as batalhas da alma, do espírito. No entanto,  não mais dominarão nem submeterão nenhuma mulher seja de qual geração for, porque seremos fortes e destemidas.

E assim, as mulheres que virão depois de mim e ainda eu aqui nesse universo, nesse tempo, nesse momento, seremos amadas, respeitadas em suas individualidades, em suas escolhas, saberemos nosso papel no núcleo familiar, respeitaremos cada indivíduo sem ressalvas e o homens da nossa geração, aqueles que nascerão do nosso ventre, serão fortes de espírito, não nos submeterão a nenhuma força que destrua a essência do nosso eu feminino e os que convivem conosco nesse tempo, produzirão em si, um olhar de amor que os farão retornar a responsabilidade que os cabe, merecendo assim pertencer, restabelecendo a ordem que nos espera.

Assim seremos o sol, a montanha, o ar e a água, nos encaixaremos novamente ao espiritual e aos conhecimentos do domínios do ser material e astral, e seremos plenas ao voltar para o equilíbrio do sentimentos profundos que trazemos.

Gratidão pela luz, pelo amor e pelo cuidado.

Sou a filha, sou a mãe, sou a mulher, sou o todo.

Constelações Sistêmicas

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
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