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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

Queridos antepassados,

Eu sou a Irene, 7a ou 8a filha do Anestor e da Inês... digo com dúvida pelo fato de um aborto não confirmado da minha mãe. Estou agora com 59 anos, sou casada, tenho uma filha linda, uma netinha de 03 meses, um genro querido, e dois anjinhos no céu, que não conseguimos segurar na gestação por conta de um problema de saúde, chamado de endometriose.

Meus queridos avós paternos e demais antepassados paternos, apesar de não conhecê-los, como eu gostaria de tê-los conhecido e saber da história verdadeira, sinto muito não saber muito como vocês viveram, pelo que passaram e por não conhecer totalmente a minha origem... Embora meu pai sempre gostasse muito de contar histórias, muitas se confundiam com os "causos" que ele criava...

Ele foi um pai bondoso, alegre e amava contar histórias, quando não estava alcoolizado... eu o amava muito!

Reconheço todos os esforços e sacrifícios que tiveram para que eu estivesse viva aqui... Vovô, sinto muito que tenha sofrido tanto com a morte prematura da vovó e tenha ficado sozinho cuidando dos filhos... Eu reconheço sua dor e tristeza! Reconheço todas as perdas, mortes, abortos, vícios por bebidas, ciúmes, invejas, brigas entre os irmãos, brigas na família e quero dizer que hoje não precisamos brigar por heranças, por terras ou outros bens!

Não temos inveja ou ciúmes entre os irmãos! Estamos todos bem! Todos com saúde e vivendo harmoniosamente com suas famílias! Eu os vejo com muito amor! Gratidão!

Meus queridos avós maternos, e demais antepassados, eu lembro com carinho do vovô Simão e vovó Ana Luiza... Minha irmã mais velha diz que vocês nos desprezavam por que minha mãe casou com meu pai ,que era pobre... Mas eu lembro com muito amor da casa no sítio, as noites nas camas com colchão de palhas, o cheiro do bolo, do leite fervido no fogão de lenha... A minha mãe era calada, e não contava muitas histórias... Estava sempre com uma ferida aberta na perna e lembro que eu sofria muito de vê-la daquele jeito. Me percebo muito parecida com o senhor vovô, sempre economizando muito e com medo de perder o que conquistou e passar por dificuldades financeiras...

Não chego a ter avareza, mas sou bastante econômica... Sinto  que nesse momento, posso ser mais flexível e mais leve com a vida...

Sinto saudades de correr na varanda da casa no sítio e ver as flores "capitão do mato"... Essas flores tão singelas trazem à tona o lado feliz da infância... E digo que minha mãe se casou por amor ao papai e nunca falou mal dele para nenhum dos filhos, embora o vício dele a entristecia por demais. Minha mãe, sua filha Inês foi uma mãe maravilhosa... Ainda sinto seu cheiro... Eu a amava muito!

Então, meus queridos antepassados, eu vejo vocês!  Agradeço imensamente por tudo que lutaram e fizeram para todos nós e especialmente para mim!

Fui a 1a filha a fazer curso superior, sempre me senti responsável por cuidar e orientar da irmã caçula desde a morte da mamãe e cuidar dos outros que necessitavam de ajuda, mas hoje quero dizer que vou deixar que eles cuidem das suas vidas e vou também me cuidar, física e emocionalmente! 

Sinto que posso voltar ao jardim... E ver as flores capitão do mato... E novamente sorrir! 

Abraços com muito amor e gratidão!

Irene

 

Constelações Sistêmicas

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