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CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

Queridos Antepassados!

Através deste movimento amoroso do curso de Constelações Sistêmicas, agora posso dizer que vejo todos vocês, compreendo desde então as dores e sofrimentos e o enorme sentimento de impotência que permeava nosso sistema familiar.

Esta dor, sentimento de incapacidade, incompetência, um sentimento sufocante de não merecimento me assombravam, há tempos passo por uma enorme reforma íntima, a ponto de não me identificar mais com o novo ser que nasceu de todas estas percepções e alinhamentos, mas nem todo esse movimento de cura me fez entender o porque de reverberar o sentimento de aprisionamento, como se nada fosse prosperar, mesmo depois de ter me dedicado tanto aos estudos, chegando a ter 3 formações acadêmicas nas quais sempre iniciava o curso encantada e ao finalizar, o sentimento de “não vou conseguir” dominava e apagava aquela paixão por aprender, medo de fracassar.

Foi então que no decorrer das aulas da mestra Olinda constelei... e chorei de amor pelas fichas que foram caindo, uma após a outra, sentimentos de tristeza, injustiça, impotência estavam então sendo percebidos por mim através do “eu vejo vocês” queridos antepassados.

Eu vejo você trisavô que era escravizado pela sua cor, sinto sua tristeza em pouco poder fazer para lutar por justiça, sinto a dor sobre o quanto desvalorizado e injustiçado era; vejo também o quanto trabalhava e não recebia nenhum reconhecimento, até que um dia o brilho dos seus olhos foram se apagando sufocados por sentimentos de imensa tristeza gerados pelo sentimento de impotência que tudo isso causava.

Eu sinto muito trisavovô, sinto muito por tudo que teve que enfrentar sozinho, pois é esse sentimento que me invade enquanto digito essa carta, sentimento de estar lutando sozinha para mudar algo que dói e poucos querem se dispor a enxergar, todos muito ocupados com ações reptilianas.

Fui pesquisar a história da família, e descobri que desta linhagem escravocata sofrida em nosso sistema familiar se originaram negros e negras que, apesar de brilhantes, foram sufocados pelo preconceito; tios avôs e tias avós esforçados e inteligentes que se diferenciavam por estudar, e desencarnaram na solidão, a maioria não conseguiu constituir família ou ter filhos; tias avós sobre as quais nunca nem sequer um dia foi ouvido relato de terem se permitido namorar, não acredito que por falta de amor para dar ou receber, e sim presas em um emaranhado que as fizeram a seguir sozinhas.

Depois que rascunhei essa carta no caderno de anotações, sonhei com minha tia avó Irene, desencarnada há mais de 15 anos com a mesma situação de solidão mencionada, sem se casar, sem ter filhos, foi escrevente na estação Central do Brasil no Rio de Janeiro, mulher muito meiga e inteligente que ao chegar na maturidade de sua idade foi acolhida pela cunhada, minha avó paterna, até o fim dos seus dias. 

Me recordo que tia Irene ficou anos em uma cadeira de rodas e aos poucos foi perdendo os movimentos e no decorrer dos anos também não falava mais, observava tudo, mas não interagia, um dia, em um almoço de domingo, uma de suas afilhadas trouxe um disco antigo de canções de amor, e quando ouviu a canção tia Irene chorou... 

Isto me marcou muito, pois há muitos anos ela já não interagia ou falava, mas certamente lembrou de um lindo amor em sua trajetória. Enfim tia Irene se foi, e no sonho que tive após ter realizado o primeiro módulo do curso foi muito bonito, no sonho tia Irene sorria e chorava de emoção por ter voltado a falar, e me agradecia... e eu chorava muito de emoção junto com ela, como se algo tivesse sido desbloqueado com o movimento das aulas de constelação com a mestra Olinda.

Sou grata queridos antepassados por tudo que passaram para que eu pudesse ter essa rica experiência aqui hoje, agora eu sei, agora eu posso dizer eu vejo vocês e sinto muito por tudo.

Uma história de amor e luz se desenvolve desde então.

Gratidão!

 

Constelações Sistêmicas

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Natalia Costa de Farias
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