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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

Pai 

           Querido Pai sou muito grata pelo fato do senhor ter desejado o meu nascimento, a mãe sempre conta que o senhor queria uma menina que fosse parecida com ela, e que quando ela estava grávida de mim, o senhor passava a mão na barriga dela acariciando.

           Lembro o quanto nós filhos tínhamos um respeito pela presença do senhor, embora fosse de poucos sorrisos, porém as gargalhadas pontuais estão muito claras nas minhas lembranças.

           Após a sua partida para o Reino invisível, tive o privilégio de ter tido dois sonhos muito lindos com o senhor, fiquei feliz por isso.

          Sou feliz também por saber e sentir que o meu relacionamento com o senhor não ficou algo a ser resolvido no sentido de magoas.

           Me vejo parecida com o senhor nos rompantes, rsrs, na forma de me expressar, como também no desejo e cobrança de mim mesma de fazer as coisas extremamente certas, honestidade em primeiro lugar, isso era simplesmente uma honra para o senhor.

     Mãe

            Mãe, com a senhora hoje entendo o quanto foi difícil ter tido tantas gestações, em uma época que era extremamente difícil financeiramente e ainda mais com a meningite do Ivo (do meu terceiro irmão – somos em 8 filhos, uma gestação a quarta era pra ser gêmeos e não desenvolveu um feto - eu sou a quinta gestação e a sexta filha).

           Como o meu parto foi difícil e eu carregava uma certa culpa quando eu ouvia a senhora me dizer o quanto se machucou para me dar a luz, hoje graças a Deus isso não me machuca mais.

            Mãe! realmente o desejo do pai foi realizado, somos parecidas em alguns aspectos físicos e principalmente no jeito de ser. Admiro a senhora por ter tido tanta garra e de se reinventar, realizando vários tipos de trabalho para ter um financeiro mais equilibrado.

            Mãe! eu sou extremamente grata por termos o privilégio de tê-la conosco até hoje nos seus 89 anos, fico feliz em poder pedir a sua benção diariamente.

Avô Paterno

            Vovô que bom poder estar se conectando com o senhor através desta atividade, tenho lembranças pontuais que lembro como se fosse o dia de hoje, as vezes que eu ia visitá-los e que o vovô fazia algumas perguntas sobre o que o pai estava plantando, ou que animais ele tinha, e eu distraída não sabia responder, o senhor me indagava: “Célia tu não moras na casa dos teus pais?”, envergonhada eu baixava a cabeça e não falava nada.

             Lembro muito também da vovó reclamando que o vovô assistia na TV somente “desgraças”, como também lembro do senhor fazendo o palheiro com fumo de corda, posso sentir o cheiro ainda hoje, e sempre sentado na mesma posição do banco da cozinha, belas lembranças.

Avó Paterna

            Querida vovó, sempre muito carinhosa com todos, que delícia as suas cucas de sábados à tarde.

             Lembro-me da torcida da senhora para eu arrumar um namorado, e quando íamos à missa sábado á tarde, a senhora muito educada agradecia por eu ter buscado a senhora em casa.

              As vezes eu lembro que a vovó como tinha que usar aparelho de audição, quando o vovô ficava “ranzinza” a senhora desligava o aparelho pra não ouvir as chateações vindas dele.

              Sou muito grata por ter tido a oportunidade de ter uma infância e adolescência com vocês.

Avós maternos

              Do Dindo (avô) tenho poucas lembranças, pois eu tinha cinco anos quando o senhor faleceu.

              Lembro-me que a mãe sofria muito com a doença (câncer) do Dindo, e as vezes que o Dindo saia do hospital e ia visitar-nos sempre tinha balas, para nós.

               Lembro também do dia do seu velório que foi feito na casa de vocês, recordo do Celestino (meu irmão que antecede ao meu nascimento) ele tinha mesmo aprendido a andar de bicicleta e estava tão feliz, quando chegou na casa do Dindo passou mal, pois se deparou com o seu velório.

                Dinda (avó) que legado lindo que deixaste, os cuidados consigo mesma sempre muito vaidosa, dando conselhos pra que andássemos sempre alinhados.

                Cuidadosa com os relacionamentos acolhendo os familiares e as pessoas, tivemos a oportunidade de tê-la conosco até os seus 94 anos.

                Embora tenha ficado viúva cedo, preferiu manter-se dedicando a sua vida aos familiares, fico feliz em lembrar que podia contar com a Dinda para dividir alguns dos meus momentos vividos.

Bisavós Paternos – Pais do avô

                Não tive contato com nenhum dos dois, porém sei que tiveram um pequeno engenho de farinha, sempre trabalharam na roça.

Bisavós Paternos – Pais da avó

                 Segundo um tio irmão do meu pai a bisa era descendente de franceses, também não tenho muitas informações.

Bisavós Maternos – Pais do Dindo (avô materno)

                  O Bisa segundo a minha mãe ele fazia benzimentos, exercendo várias curas.

                   A Bisa Ana veio da Alemanha com seus pais e irmãos quando ela tinha três  anos de idade.

                  Foi uma viagem de navio que durou um mês, segundo a minha mãe a bisa contava que as pessoas que estavam a bordo do navio e faleciam eram jogadas no mar.

                 Essa Bisa tem exatamente 100 anos a mais do que eu, e às vezes quando eu falo dela eu chego a ficar emocionada. Ela faleceu quando a minha mãe tinha doze anos.

Bisavós Maternos – Pais da Dinda ( avó materna)

                 Faleceram quando a minha mãe tinha 16 anos. Eles trabalhavam na roça e produziam açúcar e cachaça.      

Sou muito grata a toda hierarquia familiar, sim digo SIM a cada um de vocês, com muita, muita gratidão!

 #mod01

Constelações Sistêmicas

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