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CARTA AOS ANTEPASSADOS

CARTA AOS ANTEPASSADOS

Queridos antepassados das famílias Pauletti, Valiati, Pasuch e Confortin. Pais, Avós, Bisavós e todos os que vieram antes de mim.

Sou o 9º de 11 filhos de Floriano e Elena Pasuch Pauletti. Estou aqui debruçado para entender minha história e o meu pertencimento. Sou parte e sou fruto desta caminhada. Estou agradecido por fazer memória e escrever minha história. Venho neste momento dizer-lhes que eu vejo vocês, todos vocês. 

Viajo no passado, na região norte da Itália, no povoado/Comune de Feltre e Cédico. Muitas montanhas e muito frio. Famílias numerosas e muita luta pela sobrevivência, pelo sustento. Havia poucos recursos e pouca terra. 

Escuto as autoridades políticas dizendo: "No Brasil há muita terra e são muito produtivas. Quem desejar ir para lá receberá a viagem e a terra gratuita. Levem o que puderem, plantem, colham e serão pessoas afortunadas. Vão e aproveitem essa terra prometida"!

E assim, Pauletti, Pasuch, Valiati, Confortin se motivaram em 1884 a embarcar no navio a vapor, colocando em baús e malas seus pertences. Os aventureiros eram os mais jovens, tanto homens como mulheres, alguns casais com suas crianças e adolescentes. Porém, parte da família permaneceu na Itália, e as despedidas eram inevitáveis, tanto no Porto como lá nas montanhas. Muitas lágrimas, abraços, com um pensamento e sentimento de um adeus para sempre, afinal, seriam 36 dias de viagem no navio, muito longe para pensar num futuro reencontro.

A única coisa que poderia consolar seriam notícias por carta. 

A viagem de navio parecia nunca terminar. Sinto na pele o quanto foi sofrida a travessia do Oceano, seja pela superlotação, sem nenhum conforto, sol, chuva, temporais, questão de alimentação e higiene. Também as normas e exigências que havia na viagem, pois caso uma criança viesse a ficar doente e morrer era jogada nas águas.

Mas algumas mães corajosas sabendo disso e tendo seu filho morto, segurava a criança consigo demonstrando como se estivesse dormindo, para poder enterrar com dignidade o filho na terra e não jogar para os peixes devorarem. 

A expectativa de chegada ao Brasil era grande. Cada um ia se imaginando com sua terra, fazendo progresso e prosperando. Mas não foi bem assim. O navio chegou no Porto de Santos e só uma parte desembarcou, e a outra parte continuou viagem até o Porto de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. De lá, em pequenos barcos entraram pela Lagoa dos Patos, e subiram pelo Rio Guaíba, Jacuí, Taquari e também Rio Caí.

Tiveram que ainda fazer uma longa caminhada à pé até chegar num grande pavilhão/barracão onde era a concentração, local onde tinham de aguardar para serem chamados pelas autoridades locais, e estes destinariam as terras. 

Neste barracão as famílias permaneciam ainda longos dias, às vezes 30 ou mais dias. Aqui já se podia sentir um ar diferente, ao menos de chegada, de solidariedade, de conforto, embora a expectativa continuava.

Após ter recebido a terra destinada começava uma vida de suor, de batalha, de desbravar a mata e plantar as sementes que carregavam junto. Na mata havia frutas silvestres, pinhão, aves e animais. A fome era amenizada pelo que a natureza continha. O que unia e movia as famílias era a Fé, era a devoção aos santos que trouxeram junto. Se uniam para rezar, celebrar, festejar, partilhar. Logo construíram comunidades/igrejas. Havia um sentimento e espírito bonito de um ajudar o outro, de partilhar, de fazer troca de produtos e serviços.

A solidariedade esta muito presente. 

O avô Antônio Pauletti casou, teve 6 filhos, ficou viúvo. A avó Maria Valiati casou e teve 5 filhos, ficou viúva. Antônio e Maria casaram e tiveram 5 filhos, entre os quais meu pai Floriano. Então, meu pai são em 16 irmãos. 

Francisco Pasuch casou com Tereza Confortin e tiveram 16 filhos. Minha mãe Elena é a última filha, e junto com ela tinha nascido uma mana gêmea, mas só a Elena sobreviveu. 

Sinto a luta pela sobrevivência. Famílias numerosas, pessoas trabalhadoras. Desejo e vontade dos tios irem além, desbravarem outras terras no norte do Rio Grande do Sul e pelo estado do Paraná. Sinto que os avós deram aos seus filhos o que tinham e o que sabiam. 

Gratidão avós por tentarem dar o melhor. Eu vejo e sinto vocês. Estou muito agradecido por fazer parte daquilo que vocês começaram. Estou aqui para honrar vocês. 

Gratidão meus pais Floriano e Elena. Sinto orgulho, alegria, é uma honra fazer parte dessa família, com os 11 filhos que vocês criaram, educaram e enviaram para o mundo. 

Sinto todos vocês, meus queridos antepassados, fazendo parte do meu sistema, mesmo os que foram excluídos, os que nasceram mortos ou que morreram ainda bebês e os que não nasceram. Eu recebo todos vocês, com meu abraço fraterno e de amor. Hoje quero liberá-los de todos os sofrimentos que carregam para prover o sustento e a proteção. 

Hoje, sou capaz de prover meu próprio sustento e prosperar, tendo uma vida saudável, feliz e de muito sucesso. 

Estou em sintonia com todos vocês. Gratidão por eu fazer parte desse sistema. Eu vejo vocês. Eu me curvo diante de vocês. Peço a vossa bênção para eu viver a minha missão. 

Com muito amor e carinho!

Nivaldo Pauletti

#mod01

 

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