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CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

CARTA AOS MEUS ANTEPASSADOS

Oi vovó? sua bênção;

Confesso que estou muito emocionada; trancada, com um nó que me faz sentir um enorme peso na minha garganta, na boca do meu estômago e, concomitantemente, uma vontade enorme de chorar; e, neste exato momento, eu lhe vejo, vovó... nitidamente...

Minha vó querida, uma pessoa que eu tenho absoluta certeza que nesse plano me acolheu, me amou, me quis por perto (Dona Maria Portela, a mãe da minha mãe) e, o mais dignificante, sem me censurar. A sra continua linda, suave, cheirosa, calada, serena, mantendo seu inesquecível sorriso (de boca fechada) para mim.

Ah! não vou perder a oportunidade de lhe dizer do meu amor pela sra; preciso muito lhe dizer que lhe amo vovó, que as lembranças que eu tenho de "passado", da minha infância principalmente, e até de adolescência, só mostra a sra em meu mundo ou convívio;

Vejo seu rosto, seus olhinhos pretos, seus cabelos longos quando soltos, seus movimentos na cozinha, ora pra lá e pra cá, ora torrando café no fogão de lenha, ora também fazendo almoço para todo mundo que em sua casa naquele horário adentrasse e verificando o sal do guiné guisado numa panela de barro na boca do mesmo fogão, mas agora fogão de carvão.

Mas, de repente vovó, eu sinto uma tristeza infinita, dolorida, cruciante, e toda cheia de mistério... o que é isso, vovó? ou o que foi isso??? ah, já sei... estou vendo por sinal... é a senhora largando, abandonando sua bonequinha de pano, de cabelos pretos feitos de linha de costura... e para que isso, vovó?? ah! tá! vejo que é para poder se juntar a um homem... para ser mulher desse homem... e esse homem é o meu vô...

Estou vendo o vovó, a sra sendo entregue ao vovô pela mão da sua mãe a qual submissa, obediente e em ordenança a um homem que entendo que é o marido dela, um coroné - seu pai. E sinto, e vejo também a sua tristeza e obediência aos mesmos agora porque a sra está sendo conduzida, puxada por meu vô (Manoel Nóbrega)...

Ele a põe e a leva na garupa de seu cavalo e, ao som de um trote que mais me parece um xote, vocês saem, seguem, e somem pela estrada à fora. Nossa como a sra era criança ainda... uma menina... tinha treze anos? se muito, né, vovó??? Deus do Céu!!!

Me perdoe, vovó, porque não me despedi da sra durante o seu coma (eu sei, foram mais de dez dias de coma); é que eu não tive coragem de lhe ver aparentemente sem vida; sim, eu fui covarde; sabe? eu escutei a sra me dizendo e isto me dói muito até hoje na minha alma: "minha menina, só tou mesmo esperando por vc, esperando lhe ver, pra finalmente me despedir desse plano e seguir o meu rumo e novo destino de vida";

Mas, vovó, a sra foi a única pessoa que demonstrou amor, carinho, zelo por mim e eu não queria que a sra morresse, que a senhora fosse embora, entende? De fato eu fiquei relutando, relutando pra ver se Deus se cansava e desistia de levá-la pro céu pelo menos naqueles dias, tempo ou momento; então, foi isso. 

A sra sabe e viu como eu chorava, como chorei. Senti muito mais a sua morte, vovó, mais do que de todos os outros que chamamos antepassados ou de família. Pronto, falei! eu te amo, vovó; e te amo muito. E agora vovó, vá em paz, livre, feliz, mas leve consigo o que é seu, vovó; eu vou ficando por aqui, continuo a minha vida aqui, apenas com o que é meu. Gratidão por tudo, vovó!

Meus demais antepassados emano para vocês energia de paz, de luz, de perdão e de amor. Não os conheci, nunca os ví, sei alguma coisa de um ou de outro, mas, digo-lhes: fiquem a partir deste momento eterno do agora, com tudo o que é de vocês e eu vou ficar apenas com o que é meu. Libero vocês com luz e me libero também de todos vocês com muita gratidão. Gratidão!!!

Devo admitir que as minhas lembranças de vocês chegam apenas até a vovó, inclusive a vovó vem bem antes da minha mãe (que ainda é viva e tem hoje 97 aninhos - graças a Deus), do meu papai - Seu Adauto, e vejam só, do Nivaldo que nesta terra foi meu marido.

Ah! tem um tio também, o tio Seudino o qual, pelo que me consta, sempre me amou profundamente, a ponto de cuidar e velar por mim, sempre que eu adoecia, balançando a minha rede e constantemente verificando com um espelho as minhas narinas pra ver se eu "ainda respirava".

Não me lembro de mais ninguém; mas emano energia de amor para todos eles, todos vocês e repito: vão e levem com vocês o que é de vocês; eu vou seguir a minha vida e levo comigo tão somente o que é meu. Vão em paz porque eu estou em paz. Gratidão!

Papai querido, eu te amo, sempre te amei. Sei que o sr ao seu modo também me amou. Eu perdoo o senhor, papai; quero que me perdoe também. Admito hoje que violei a ordem junto ao senhor e que todos os motivos do mundo justificam essa violação, afinal, o sr durante bons e longos anos se entregou à bebida, ao vício do álcool; foi um pai ausente para comigo e para com todos nós dentro de casa.

No entanto nesse curso que faço hoje, aprendo que tal violação só prejudicou de fato a mim no que diz respeito a prosperidade, ganhar dinheiro e logo perder, falta de progresso, começar as coisas e não concluí-las, por isso, lhe peço perdão por minha violação para com o sr, para com a sua figura de autoridade enquanto pai para mim e também lhe perdoo por tudo.

Passemos a régua nisso como costumamos dizer por aqui nesses momentos, e, em sendo assim, gratidão por tudo, papai; agora vá, siga, vá ao rumo que lhe espera, pode ir em paz, mas leve o que é seu com o senhor e eu fico aqui, vou seguir também meu rumo, mas levando comigo apenas o que é meu. Gratidão!

Estou leve, estou em paz, estou plena!!! Gratidão!!!!!!!!

 

Constelações Sistêmicas

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