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COMO MINHA HISTÓRIA COMEÇOU

COMO MINHA HISTÓRIA COMEÇOU

A história uma vez contada tem o poder de resgatar lembranças esquecidas e guardadas no baú do coração. Essa é uma oportunidade ímpar oferecida pela Escola Real ao resgatar a história de vida dos meus pais e a minha história.

Meu pai veio de uma família que era composta por seus cinco irmãos, avô Antônio e avó Clara. 

Após uma mudança de cidade, eles passaram por momentos difíceis, tanto financeiramente quanto de organização familiar, pois, minha avó guardava o dinheiro da família tão bem guardado que até chegou a desvalorizar, já que nesta época houve a mudança da moeda em vigência e a desvalorização do dinheiro antigo. Então a partir daí as condições de sobrevivência deles se tornaram cada vez mais difíceis.

Contudo, eles continuaram unidos mesmo no sofrimento. A infância do meu pai foi uma mistura de aventuras, sofrimentos, muitas agressões físicas por parte da minha avó e trabalho, ou seja, uma infância vivenciada com mais trabalho que brincadeiras. Neste período os estudos eram algo muito distante da realidade do meu pai, assim, ele só aprendeu a fazer contas (muito bem) e assinar o seu nome.

Tinha sempre uma fala consistente para nós, seus filhos, que era: “estudem por que é a única coisa que posso oferecer a vocês e ninguém pode tirar”. É uma frase cheia de significados e de uma sabedoria gigantesca!

A sua adolescência e juventude foi regada a trabalho e muitas festas (pelas histórias contadas, ele gostava muito de uma festa e de tocar violão). Exerceu a profissão de motorista e mecânico por anos e intercalava essas atividades com alguns afazeres na zona rural, o que não era sua aptidão natural, pois só fazia como meio de sobreviver.

Quanto à minha mãe, a sua história se enlaça em várias histórias, pois meu avô  casou-se três vezes, sendo assim, minha mãe é fruto do segundo casamento. Na época em que meu avô Juca era viúvo e com filhos, minha avó Altina também  viúva e com filhos, uniram-se e formaram uma nova família da qual fazem parte minha mãe e seus três irmãos.

A minha avô faleceu muito nova, quando minha mãe estava com aproximadamente uns três anos. A infância da minha mãe foi toda na zona rural e sem a oportunidade de usufruir dessa fase como deveria ser para todas as crianças, pois meu avô não era uma pessoa aberta a muitas brincadeiras e diversões.

Ao contrário dele, minha mãe teve oportunidade de estudar.

A escola dos anos iniciais era  ofertada dentro da fazenda do meu avô. Depois os filhos eram direcionados para a cidade próxima para dar continuidade aos estudos. E com minha mãe não foi diferente. Precisou ir para a cidade estudar, mas não deu continuidade aos estudos para ajudar sua irmã mais velha a cuidar dos seus filhos.

Após pouco tempo de namoro meus pais casaram-se  na igrejinha da “roça”  e viveram juntos por longos 45 anos. Só desfazendo essa união física devido ao falecimento do meu pai. Depois de três anos foi a vez de minha mãe ir ao seu encontro.

Muitos ensinamentos foram apreendidos através da vida conjugal deles, uma vez que eles prezavam por manter a família unida, manter o respeito mútuo e o amor incondicional aos seus filhos.

Muitas lutas e desafios foram superados. Um deles era saber como sustentar todos os filhos. Assim meu pai trabalhava dia e noite, incansavelmente. Minha mãe ficava com os afazeres domésticos, cuidava dos filhos e ainda comercializava alguns produtos feitos por ela mesma.

A partir desses relatos me dou conta que minha vida segue em lealdade a muitas vivências dos meus pais. Tenho um interesse enorme em buscar sempre mais conhecimentos, procuro ser justa em tudo que faço e tenho como profissão o exercício da Assistência Social e, futuramente, o Direito (graduando).

Vejo em mim o medo da minha mãe, entendendo que para ela não poderia ser diferente, pois passou por uma orfandade tão nova. Vejo em mim a busca do meu pai em tentar fazer o melhor para as outras pessoas e muitas vezes sendo negligente consigo mesmo.

Curiosamente, desde a minha infância, vivencio um sentimento de solidão, de exclusão e a necessidade de pertencer que muitas vezes provocava em mim uma rebeldia tão grande com meus pais, ou melhor, com minha mãe, que hoje vejo que só queria e precisava ser vista por ela.

Agora eu sei que preciso seguir minha vida e honrar vocês, meus amados, passando a vida em diante, através do meu filho e deixo com vocês o que é de cada um.

Honro a vida recebida, vivendo de forma intensa com prosperidade e com sabedoria.  

Gratidão, meu pai Luiz e minha mãe Adelaide, por todo amor.

#conclusão#mod03

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