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O QUE OS CONTOS INFANTIS PODEM REVELAR SOBRE MIM?

O QUE OS CONTOS INFANTIS PODEM REVELAR SOBRE MIM?

 

Quando fui desafiada a pensar e a escrever sobre os contos infantis  com os quais eu me identificava quando criança, lembrei-me imediatamente de dois contos: Chapeuzinho Vermelho e Cinderela.

Inicialmente, o conto do Chapeuzinho vermelho foi o mais antigo na minha memória. Eu gostava da ideia de andar solta, livre e sorridente na floresta... Eu me vejo na espontaneidade e inocência dela, a chapeuzinho.

Por outro lado, sempre tive muitos medos. Dentro de mim, sempre existiu uma menina carente que clama por colo, por proteção. Essa menina encontrou o seu primeiro lobo mau quando foi abusada sexualmente com 07 anos de idade. Essa menina sempre olhou para os homens com uma certa desconfiança.

Lembro-me também que sempre tive medo de me perder nas ruas, nas cidades; essa sensação de território desconhecido me apavora até hoje. Mas, agora, eu te vejo medo do desconhecido. Eu me autorizo a sair por aí, buscando os meus sonhos, a minha felicidade genuína. Hoje, eu sou adulta e posso perfeitamente cuidar de mim.

Agora eu sei me proteger. Eu sou filha de Deus. A fé na divindade e em toda egrégora de proteção, ajuda-me nos desafios da vida. Eu, finalmente, sinto a presença de Deus. Eu sei que jamais estarei sozinha. Deus é amor e eu sou o amor. Não há o que temer.

Neste momento, o lobo mau está sendo o processo da minha separação conjugal. Entretanto, como adulta, não me permitirei mais ser abusada por ninguém. Eu exijo respeito! Eu honro a todas as minhas ancestrais que me dão forças para seguir em frente.

Hoje, eu posso fazer diferente de todas elas.

Agradeço a força e a sabedoria de todas essas mulheres e acolho o masculino que existe em mim, fruto do que recebi dos meus avós, bisavós, tataravós, todos os meus ancestrais; vocês fizeram o melhor que puderam.

Eu honro a coragem e a determinação de prover uma família. Eu sei que posso sustentar a minha família, eu e Sophie. Sim. Nós somos uma família feliz! Há integridade, respeito e muito amor entre nós.

Criarei minha filha com honestidade e a coragem de ser realmente quem eu sou, com minhas potencialidades e vulnerabilidades, mas nunca em um lar idealizado e repleto de frustrações e medos. Somos livres, filha. Somos livres para amar e sermos amadas. Não podemos aceitar migalhas.

Eu agradeço e honro tudo que recebi dessa relação a qual me despeço hoje, pois foi fundamental para o meu crescimento. Eu precisava adultecer. Hoje, como adulta, posso escolher o caminho que o meu coração esteja em paz e com integridade.

Já o conto da Cinderela... Ah! Esse sempre foi o conto dos meus sonhos, da minha ilusão em ser salva. Eu queria ser vista. Alguém que me valorizasse. Meu pai não conseguia me ver devido o problema de saúde mental. Eu achava que minha família era complicada demais.

Por isso, eu vivia numa confusão mental: Ora eu imaginava que seria difícil encontrar alguém devido a síndrome da gata borralheira: menina sofrida; Ora eu me via com uma menina sonhadora a espera de um menino que me olhasse e me “salvasse”.

Então, eu sempre quis me destacar para que alguém me validasse. Desde criança, eu sentia que em algum lugar existia um homem amável, compreensivo e generoso que iria cuidar de mim e da nossa família. Passei parte da infância e a adolescência acreditando que Deus iria me recompensar com alguém muito especial.

Na verdade, eu cresci e entendi que a pessoa que eu tanto esperava sempre esteve presente o tempo todo. Essa pessoa SOU EU. Eu sou muito especial! A adulta de agora sente o bebê, a criança, a adolescente e a jovem mulher reunida em um só SER. Eu sou a união de todas elas.

Sendo assim, agradeço à minha história de vida até o momento. Eu sou fruto de todas essas experiências. Hoje, possuo recursos necessários para transmutar todos os meus desafios como uma mulher sábia. Eu me permito sentir as dores da minha alma para curar todas as feridas.

Mas, não sou mais a vítima, a menina desprotegida. Eu me autorizo tomar as rédeas da minha vida e seguir com coragem.

“Tudo de bom vem a mim com facilidade, alegria, honra e glória”. Eu renasci em 18 de março de 2020 com o nascimento da Sophie. Hoje, em 18 de abril 2022, eu estou dando novos passos, olhando para todos os meus medos e enfrentando um a um. Eu posso fazer diferente, por mim, por todas elas que me trouxeram até aqui e pela minha filha Sophie.

Assim, eu honro à minha vida por meio das minhas escolhas. Assim é. E assim será.

Gratidão por tudo!

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Anne Castro
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