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CONSTELAÇÕES ÉPICAS II: OLHANDO PARA ONDE A MINHA MÃE OLHA

CONSTELAÇÕES ÉPICAS II: OLHANDO PARA ONDE A MINHA MÃE OLHA

“Percebemos os efeitos de abortos espontâneos no sistema quando constatamos alguns sinais tais como: uma tristeza em forma de melancolia, uma sensação de vazio (como se algo estivesse faltando), por desejos inconscientes de socorrer, um sentimento de perigo, um sentimento de solidão, uma sensação de que não tem ninguém que vê, de existir e ninguém ver; uma vontade de pedir socorro e uma certeza de que ninguém vai perceber”. Olinda Guedes, ditado Constelações épicas - fundamentos, 30/01/2021

A segunda aula sobre constelações épicas me tocou profundamente.

Retornei a minha infância e percebi o quanto estive ou estou conectada com as crianças do meu sistema que não puderam vir. Ainda criança, sentia uma tristeza inexplicável, uma solidão, e esse senso de invisibilidade.

Não estava conectada apenas a meus irmãos, mas a meus tios, meus tios avós...

Minha avó, mãe da minha mãe, “era filha única”. Meu avô, seu pai também era “filho único”.

Famílias negras via de regra são numerosas, sinto que esta é apenas a parte da história, mas não a história verdadeira...

Sem contar as crianças que não puderam nascer, sinto que são muitas.

Eu estou em ressonância com todas estas crianças, sinto que meu filho também está...

Como curar estas memórias?

De algum modo sinto que algo em mim foi curado, foi integrado, logo após sentir esta afirmação em meu corpo, Olinda afirma: “Tudo aquilo que toca o nosso coração, cura, completa".

Assim é.

Já quis curar estas memórias tendo outros bebês, era uma forma inconsciente de querer compensar...

Estava seguindo os passos da minha mãe.

Eu venho de uma família de 04 irmãos.

Duas de nós chegamos por via biológica e dois por via adotiva.

Eu sou a primeira, logo depois veio a segunda, ela é filha do irmão da minha mãe. Quando ela chegou, eu estava a alguns meses de completar 4 anos, e ela a poucos de completar 2 anos. Crescemos juntas. Quando ela completou 6 e eu estava e para completar 8 anos, nasceu a terceira. Quando eu tinha 31 anos, chegou o quarto, com pouco mais de 2 anos.

Eu julguei muito a minha mãe por esta última adoção, principalmente por acreditar que ela não daria conta. Ela é uma senhora, com filhas criadas e que hoje tem um filho adolescente, que traz questões com as quais ela não sabe lidar, isso era exatamente o que eu pensava. Como sempre, eu me arrogando e me metendo onde não sou chamada...

“...Nossos pais também são bons e que por trás de todas as queixas que talvez tenhamos em relação a eles atua o amor. Esse amor, por, não está voltado para nós, e sim para outro lugar, lugar esse para onde olhavam quando eram crianças, para alguém que queriam incluir na família. Se começarmos a dar lugar dentro de nós a todos esses excluídos, então nós também olhamos com os nossos pais para o lugar onde eles estão amando. Assim tornamo-nos livres e os nossos pais, também. De repente, experimentamos-nos numa situação completamente diferente e aprendemos o que significa o verdadeiro amor”. Hellinger, Bert. Histórias de Amor. P.67

Hoje consigo perceber que minha mãe, tentou trazer o amor de volta por meio dos seus filhos.

Minha mãe em seu sistema é aquela que olha para os excluídos.

Meu avô, seu pai, foi excluído. Então, para sua primeira filha deu o nome de Paula, assim como seu pai, Paulo se chamava, numa tentativa de incluí-lo novamente na família.

Minha mãe, em ressonância com as crianças que não puderam nascer em sua família, com seus irmãos, com os tios a quem nunca conheceu, com seus sobrinhos, trouxe à família meus irmãos por via adotiva.

Não me cabe aqui julgar tal movimento.

Apenas declarar que agora eu sei para onde o amor da minha mãe olha.

Constelações Sistêmicas

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Paula Azevedo
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Intensidade é meu nome ... Filha de Antonio e da Célia, esposa do Carlos, mãe do Hakim... Educadora Fluminense em São Paulo, pesquiso Relações Étnicorraciais na Educação, apaixonada pelas Constelações Sistêmicas... Pedagoga Sistêmica em Formação.

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