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ERA UMA VEZ ... O QUE PRECISAVA SER VISTO

ERA UMA VEZ ... O QUE PRECISAVA SER VISTO

Quando eu era criança, era apaixonada por histórias. Não qualquer história, mas histórias de personagem humilhada que sofria muito e que de repente se transformava ou recebia algum poder, passando a ser admirada, uma brilhante personalidade diante de todos.

Depois que cresci, sempre tive paixão por proteger ou acudir crianças que estivessem passando por algum tipo de engano, constrangimento ou humilhação.

Entre adultos, nunca me senti à vontade diante de brincadeiras ou piadas que pudessem constranger ou diminuir alguém, e sempre procurei criar estratégias para tirar pessoas de situações de constrangimento, sem precisar bater de frente com ninguém. 

Mal sabia eu que essas características da minha personalidade indicavam temas existenciais ligados a memórias transgeracionais de traumas vividos por antepassados meus, que passaram por situações de exploração e humilhação, e que não tinham reconhecidas e respeitadas as suas capacidades e expectativas.

 Na minha família, principalmente no lado paterno, sempre se percebeu um certo medo de ser enganado e de passar vergonha, de fazer feio, de ser inconveniente e outros medos de pequeno porte, se é que posso definir assim.

Estudando sobre Temas Existenciais, fui me dando conta de que esses pequenos medos revelam o que “era uma vez”, o que não podia ser evidenciado, ao mesmo tempo em que precisava ser visto.

Era uma vez... e ficou no passado sem ser resolvida a situação de pobreza causada pela incapacidade de produzir, por causa da falta de recursos daqueles que vieram da Itália, fugindo da miséria, acreditando em uma promessa de vida promissora e de recursos que, ao chegarem aqui, não foram recebidos.

Sentir-se enganado por quem tem poder é realmente humilhante e faz sentir vergonha de se ser quem é.

E o que isso tem a ver com querer livrar crianças de situações enganosas ou humilhantes?

As crianças são inocentes e confiam nos adultos que estão ao seu redor, ou seja, naqueles que diante delas têm poder, no que eles fazem e no que dizem, e quando esses adultos as enganam, elas se sentem envergonhadas ou humilhadas por terem confiado, e por não se cumprirem as promessas.

“Fichas” foram caindo, uma atrás da outra, nos estudos sobre temas que fazem sofrer mesmo que não sejam graves, e essas “fichas” foram mostrando para onde ainda precisamos olhar no nosso Sistema Familiar.

Ah, agora eu sei! Ah, agora eu e meus irmãos podemos saber o porquê de o nosso querido pai relutar tanto para pedir o que precisava, sempre no intuito de não incomodar ou para evitar o risco de passar vergonha; podemos saber o porquê de ele sentir-se sempre inferior, de submeter-se a ser explorado no trabalho e preferir não ser engrandecido.

Podemos dizer que ele foi leal aos seus avós, para que eles não ficassem sozinhos e esquecidos naquele sofrimento e naquela humilhação em que a sua dignidade foi ferida.

Podemos dizer agora: querido papai, queridos avós e bisavós, gratidão por tudo o que enfrentaram! Agora nós recuperamos o brilho e a honra da nossa família! Não é por acaso que vários dos nossos, hoje, ocupam lugar de destaque em serviços públicos, e têm chance de ajudar nas decisões em benefício dos que mais precisam do poder público para garantir uma vida digna! Ah que ficha linda essa que despencou agora diante de mim! Que orgulho posso sentir de sermos quem somos!

Era uma vez o que não foi visto e agora vemos: a coragem, a honra e o brilho dos que aqui chegaram antes de nós.

O constrangimento, a vergonha e o medo causados pelo sentimento de engano, ficaram no passado, e “era uma vez”, como se fosse um conto,  porque não é mais assim.

 

Constelações Sistêmicas

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Angela Helena Bona Josefi
Angela Helena Bona Josefi Seguir

Ângela é casada e tem 5 filhos. Tem formação em Constelações Sistêmicas e Organizacionais by Olinda Guedes. É professora, com experiência na Educação Básica e no Ensino Superior. Palestrante e ministrante de cursos na área da Alfabetização.

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