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SOBRE MEUS PAIS E SUA RELAÇÃO. O OLHAR DE UMA FILHA

SOBRE MEUS PAIS E SUA RELAÇÃO. O OLHAR DE UMA FILHA

A mestra pediu, no módulo 3, que fizéssemos um relato sobre a vida conjugal dos nossos pais. Meu olhar sobre a vida conjugal deles é um olhar de quem não sabe muito e que se coloca numa posição de não julgamento.

Meus pais nasceram e moravam em Estados diversos. Como se encontraram? Vamos à história.

Minha mãe me conta que era muito levada quando criança e bem apegada ao seu pai. Diz que ela ficava brincando com ele, quando este chegava das suas viagens (era caminhoneiro), e pulava nos sacos de arroz que este trazia na carga.

Sua mãe, minha avó, teve 9 filhos, dos quais 2 faleceram ainda bebês. Dos 7 que sobreviveram, 5 são mulheres. A casa dessas mulheres sempre foi lugar de muito acolhimento para mim, meu irmão e para os meus pais, principalmente quando éramos crianças.

Minha mãe conta que sempre foi muito vaidosa na adolescência, que estudava e trabalhava e que não sonhava com o casamento e com filhos.

Meu pai é filho único, nascido em uma pequena cidade do interior, na qual eu e meu irmão também nascemos. Não conviveu com seu pai desde que nasceu. Minha avó e ele separaram-se e ela ainda estava grávida do meu pai. Meu avó foi morar na capital.

A referência paterna do meu pai foi seu avô, a quem ele chamava de pai. meu pai tinha uma forte ligação com sua mãe. A relação deles era muito bonita, de muita ajuda e cumplicidade.

Durante a adolescência, quando passou no vestibular, meu pai foi estudar na cidade em que minha mãe morava (está aí como se conheceram rs).

Os dois eram universitários quando se conheceram. Não sei como aconteceu o encontro, mas sei que namoraram por cerca de 2 anos antes de se casarem.

Minha mãe, assim como eu percebo que fui, era muito “livre” e talvez o casamento soasse para ela como uma prisão. O amor falou mais alto e ela encontrou a pessoa certa para ela, assim como o meu pai a mulher certa.

Meu pai finalmente quis voltar à sua cidade natal e propôs à minha mãe que fosse junto. Ela foi! Lá nascemos eu e meu irmão.

Sei de episódios em que eles quase se separaram. Sei que minha mãe relutava em ficar longe da família. Penso que não deve ter sido nada fácil chegar num lugar desconhecido, para morar, primeiro, na casa da sogra, e “deixar” a família, a quem ela era muito ligada.

Admiro a coragem dela e também do meu pai, de formarem o seu sistema, nas condições que tinham, com os medos que tinham, com todas as dúvidas e incertezas do futuro. Apenas disseram SIM e por isso posso contar essa história aqui.

Lembro-me, sim, bem pequena, de escutar e presenciar brigas, e da tristeza que eu sentia todas as vezes. O medo que eu tinha de que se separassem.

Talvez por isso, hoje, eu atue como advogada, no direito das famílias, cuidando para que as crianças sejam vistas pelos pais durante o processo de divórcio.

E para que os casais olhem para elas, assumam a sua responsabilidade na parte que lhes cabe e tomem consciência de que só faz sentido ficar junto se houver mais felicidade do que a que se sente ficando sozinho.

Me dei conta de que aprendi muita coisa com a história dos meus pais; de onde vem as minhas dores, as minhas crenças, as minhas feridas e, hoje, eu consigo compreender que, no lugar de honrar a dor e repetir padrões de sofrimento, eu posso transformar a minha maior sombra no meu amor em movimento, deixando um legado de amor e de cura para mim, para os integrantes do meu sistema familiar e para outras pessoas.

Um beijo carinhoso em todos vocês!

 

Constelações Sistêmicas

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