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A SÍNDROME DO FANTASMA

A SÍNDROME DO FANTASMA

Os primeiros autores a intuírem esta síndrome foram Mária Torok e Nicolas Abraham, psicanalistas húngaros, e Anne Ancelin Schützenberger, psicoterapeuta e psicóloga francesa, através do estudo profundo da psicologia emocional e familiar.

Também é conhecida como Síndrome de Gisant (versão original francesa adotada pelo Dr.º Salomon Sellam) ou Síndrome del Yaciente (em versão hispânica). Em português denomina-se Síndrome do Fantasma e aqueles que a apresentam “trazem um morto dentro de si”.

Uma morte na família é um dos dramas emocionais mais intensos que se podem experimentar. Qualquer pessoa sabe, instintivamente, o que acontece quando um familiar muito próximo morre, mesmo quem nunca passou por uma experiência direta. Basta imaginar perder um familiar muito próximo e sentir a hipotética perda. O coração fecha-se e a angústia existencial instala-se. “Melhor nem sequer pensar” – dizem os neurônios.

Quando ocorrem mortes na família, por razões justificáveis ou injustificáveis, cria-se inevitavelmente luto. Para gerir a intensidade emocional do drama o clã procura imediatamente reorganizar-se, de modo a compensar essa mesma perda.

Se cair uma viga de sustento de uma casa, terá que se encontrar uma outra para a substituir, da mesma forma que quando uma peça de um quebra-cabeça se solta do encaixe, uma outra terá que ser escolhida para tapar o vazio. Por exemplo, quando morre um pai, a família encarrega-se automaticamente de escolher um substituto, como um filho mais velho, uma filha, um genro, uma nora, um neto ou até mesmo a própria esposa. 

Esta reorganização arcaica instintiva do clã acontece com o objetivo inconsciente de manter estabilidade.

O instinto gregário e biológico da família leva cada elemento a assumir um papel distinto na ausência de outrem. Acontece inconscientemente, por força do Inconsciente Coletivo Familiar. O elemento da família acolhe esse dever, não estando na maioria das vezes consciente do mesmo. Pode acontecer com um adulto, jovem, criança ou até mesmo bebê.

Segundo os neurônios da razão e da moral, ninguém deve substituir ninguém. Contudo, a força do drama leva a que o Inconsciente Familiar escolha alguém na família para remediar essa perda até que o luto seja resolvido.

Ao abrir uma árvore genealógica podem-se encontrar dois tipos de mortes:

  • Mortes justificáveis: Pessoas idosas que já cumpriram em grande parte o propósito de existência, deixando descendentes, um legado material ou ideológico. Neste caso, a perda do ente querido e o processo de luto são geridos de uma forma natural.
  • Mortes injustificáveis ou injustificadas: São pessoas que morrem antes do tempo bio-cronológico normal, deixando um potencial por desenvolver em vários sentidos. Neste caso, são também chamadas de mortes “anti-naturais”, como as de adultos em fase ativa, jovens adolescentes, crianças e bebês. Estas mortes podem acontecer por acidentes, doenças, homicídios, desaparecimentos numa guerra ou algures num local distante e em partos e abortos voluntários ou involuntários.

Perante mortes precoces, um tsunami emocional de tristeza e pesar invade o inconsciente de cada célula familiar. Um morto, ou mortos, fica a pairar como fantasma no teto familiar, pronto para ser resgatado e devolvido à sua essência matriz. Há mortos que ficam presos no Inconsciente Familiar durante 100 anos, caso se trate por exemplo de uma bisavó que faleceu com 33 anos de idade.

Quando estes “fantasmas” vivem em silêncio, intocáveis e fechados em túmulos silenciosos, transformando-se num assunto tabu, um peso existencial cai sobre a família, como se de um manto negro que não deve ser descoberto se tratasse. Um falecido que não é falado ou ignorado pela família pesa o triplo do que um que é falado por toda a gente, com respeito, paz e abertura.

Simbolicamente, alguém que apresenta esta síndrome vive a sua vida como se estivesse a viver a vida de outra pessoa, trazendo o morto no interior do seu Inconsciente.

Pode-se detectar esta síndrome pelos seguintes sinais clínicos:

Apresenta por norma um discurso monocórdico, pausado, de baixa tonalidade, calmo, lento, como se tivesse que falar baixinho para não acordar o morto. Por norma, sentem-se atraídos por temas relacionados com a morte ou o oposto. Isto é, uma forte aversão pela mesma (“não suporto ouvir falar de mortos”). Normalmente, têm o seguinte discurso: Sinto que a minha vida é uma tristeza profunda”; “Vivo mergulhado na escuridão”; “Só me apetece dormir ou fechar-me no escuro”; “Sinto que não vivo”, “Sinto que vivo a vida de outra pessoa que não eu”; “Sinto-me cansadíssimo o tempo todo”; “Sou apagado desde sempre”; “Quero fazer coisas mas só me apetece ficar no meu canto”. Inúmeros exemplos de frases podem ser citados, havendo um dominador comum nelas todas: “sinto isso desde sempre.”

Imobilidade física ou rigidez mental. Ao observar uma pessoa com este tipo de síndrome vê-se alguém rígido na cadeira, parado, quieto com um rosto pouco expressivo, tom de pele mais pálida, com poucos gestos.

Podem sentir uma atração pela cor preta, vestindo-se frequentemente com tons mais escuros, a cor do luto (encontram-se muitos fãs de música gótica, gore, trash e heavy metal no clube dos “fantasmas”) ou o oposto, tons sempre claros e brancos pois o escuro causa aversão.

Existem ainda adeptos das sestas e do sono, como se mantivessem em estado latente de vida. Também podem gostar muito do tempo escuro ou da noite, longe da iluminação diurna. De noite, quando dormem, as janelas têm de estar bem tapadas para não entrar qualquer luz exterior.

No que concerne ao ambiente, este tem de ser por norma muito silencioso e isolado, já que alguns portadores da síndrome não suportam o ruído nem a confusão auditiva, gostando de manter um silêncio de túmulo.

Podem ainda viver desligados do prazer físico, sensual, sexual ou outro tipo de sensação que conduza à alegria de estar vivo.

Têm a particularidade de dormirem quase sempre de costas, com a cabeça virada para o teto, tendo os braços cruzados em cima do peito, assumindo uma postura de um morto num caixão.

Pode encontrar com facilidade bloqueios na criação de uma prosperidade material e/ou vocacional estável. Enquanto o Inconsciente se encontrar com um programa de Morte, não poderá criar Vida.

Doenças típicas:

  • Todo o tipo de paralisias, em particular esclerose em placas, esclerose lateral miotrófica ou doença de Parkinson;
  • Doenças imobilizantes e/ou invalidantes como reumatismo e transtornos paralisantes;
  • Apneia do sono;
  • Gases com forte odor de causa inexplicada. O ventre pode ser considerado como uma segunda sepultura, podendo ser “colonizado” por “mortos”;
  • Acrocianose/síndrome de Rynaud, sensação de frio constante;
  • Depressões crônicas ou endógenas, melancolia sem razão aparente, tristeza constante ou atrasos psicomotores;
  • Síndrome de hiperatividade e déficit de atenção.

Na família, existem dois tipos de fantasmas:

Vertical: ocorre quando se recebe o “fantasma” de alguém que se encontra numa hierarquia familiar superior, como por exemplo um filho que recebe um fantasma de um avô, uma avó, um tio falecido precocemente, etc. Pode ser detetado através de:

  • Nomes: o avô chama-se Antônio e o neto Antônio, por exemplo;
  • Datas de aniversários de nascimento, concepção ou falecimento, com uma diferença máxima de 10 dias;

Horizontal: são chamados filhos de substituição de outros irmãos que faleceram precocemente ou em abortos voluntários e involuntários. Neste caso, o drama prende-se com a perda de crianças.

Os filhos de substituição carregam a memória de luto dos pais, implantada antes da concepção dos mesmos. O esquema biológico de um casal humano mamífero procura sempre a substituição de uma perda dolorosa de uma cria.

A Síndrome de Fantasma acaba por ser um ou vários mortos que coabitam o Inconsciente. A personalidade “original” é sacrificada em nome de um processo de gestão de dor familiar. O falecido vive no interior e procura sempre comunicar através da tristeza generalizada, encontrada através de sinais clínicos.

Processo terapêutico:

  • Análise da árvore genealógica na busca dos mortos que se encontram vinculados (duplos familiares);
  • Desocultação da história do defunto (dar voz ao morto). No caso de abortos, atribuir-lhes um sexo e um nome;
  • Consciencialização da emoção reprimida ou dos estados emocionais;
  • Soltar simbolicamente o morto.

No preciso momento em que o inconsciente tem a oportunidade de libertar a carga emocional associada ao morto, a sintomatologia reverte-se. Quando este processo de transformação acontece, ocorre uma sensação de alívio, liberdade e alegria que, poucos estão habituados a sentir.

A vida passa a manifestar-se de uma forma natural, sem o impedimento do morto.

 

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Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Márcia Regina Valderamos
Márcia Regina Valderamos Seguir

Sou psicoterapeuta sistêmica, discípula de Olinda Guedes, psicóloga de formação, e, c a Mestra Olinda Guedes, fiz e faço Renascimento, Formação em Constelações Sistêmicas, Master, Florais de Bach, massagem reparentalizadora..

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