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CONCLUSÃO DO MÓDULO 5 - CONSTELAÇÕES EDUCACIONAIS E ORGANIZACIONAIS.

CONCLUSÃO DO MÓDULO 5 - CONSTELAÇÕES EDUCACIONAIS E ORGANIZACIONAIS.
Soraia de Araujo Victal
mar. 4 - 7 min de leitura
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Neste módulo percebi quanto nossa vida está entrelaçada aos nossos antepassados, seguimos seus aprendizados e trabalhamos para restabelecer as estruturas que ficaram inacabadas, desestruturadas.

Por volta dos 3 anos vim morar na Bahia com meus avós. Minha avó era diretora de uma escola da Rede Estadual e eu sempre estava com ela na escola, nas reuniões. Eu vivia no ambiente escolar desde muito pequena e acabei seguindo e sentindo todo o amor que minha avó tinha por sua profissão.

Quando comecei a estudar na escola que minha avó era diretora,  o meu maior sonho era ser professora igual a ela. Eu amava estar na escola, amava brincar de professora com minhas bonecas, coleguinhas e os filhos dos trabalhadores da roça do  meu avô e do bisa.

Estudei na escola que minha avó era diretora do pré-escolar até a quarta série. Quando passei para a quinta série voltei para São Paulo para morar com meus pais. Mas nunca deixei morrer o sonho de ser professora como a minha avó. Mas antes do sonho realizado tive outras profissões.

Minha primeira profissão foi por volta dos 11 anos quando eu ia nos finais de semana para a casa da minha tia substituir a secretária do lar e babá. Eu cuidava da minha prima bebê e fazia o serviço doméstico. Aos 14 anos quando meus pais seguiram cada um sua própria vida com o divórcio eu fui morar com esta minha tia. Comecei a trabalhar de segunda a sábado na loja de roupas dela e do marido, onde eu fazia todo tipo de trabalho, faxina, vendia, tirava nota fiscal, fazia pacote, recebia dinheiro, fazia arremate das roupas que chegavam da oficina de costura, servia de modelo para vestir as roupas que a estilista fazia para levar para a oficina de costura. Aprendi a fazer todo o serviço da loja. E nos finais de semana depois que saia da loja substituía a secretária do lar e babá.

Aos 20 anos casei e comecei a fazer o curso de História e no segundo mês já estava trabalhando como professora na periferia de São Paulo. Fui procurar uma escola que estava precisando de professor de história em uma favela e acabei indo em outra escola e a diretora não deixou que eu fosse para a   escola que fui indicada porque se eu não ficasse lá as crianças ficariam o ano todo sem professor porque segundo ela, professores concursados não trabalhavam em favelas perigosas. Então esta diretora foi quem me ensinou como preparar aula, como agir com os alunos, formas para ensinar, como preencher diários de classe. Esta diretora foi minha professora, um anjo que me orientou nos primeiros passos da profissão que exerci durante 30 anos.

A escola era bem pequena, tinha seis salas de aula, era um lugar tão perigoso que só podíamos sair da escola todos juntos e pegávamos o primeiro ônibus que passasse sem olhar para onde ele ia, só para sair de lá e chegarmos em um lugar mais seguro para pegar o transporte certo para chegarmos em nossas casas.

No ano seguinte fui para outra escola também na periferia da zona Sul de São Paulo, nesta escola desenvolvemos um projeto que se chamava Conhecendo São Paulo, fizemos este projeto porque muitos alunos só conheciam o local onde moravam, eram carentes em todos os sentidos, saiamos com eles uma vez em cada bimestre para conhecer um local turístico, cinema, teatro, parques, etc, e nossos alunos ficavam deslumbrados, muitos só conheciam os lugares pela tv. Eu me sentia a mãe com muitos filhos onde estava apresentando o mundo que eles não conheciam.

Trabalhei oito anos nesta escola.

Aos trinta anos, quando me separei do pai das minhas filhas voltei a morar na Bahia, e continuei a trabalhar em uma escola de periferia, com alto índice de violência, mas não encontrei mais o apoio de colegas que falavam a mesma língua que a minha, meus projetos não podiam ser mais realizados, os alunos não tinham estimulo para estar na escola, genitores que não se importavam com seus filhos e aí ao longo dos anos acabei me sentindo derrotada, inútil, sem perspectiva de trabalhar em um ambiente tão insalubre.

Fui ameaçada de morte por um aluno e por uma mãe de aluno, estava na escola quando um aluno foi assassinado no portão da escola, outros alunos foram assassinados em suas casas e eu acabei não dando conta e entrei em crise de pânico.

Os últimos 5 anos de trabalho passei fazendo tratamento psiquiátrico, terapias, tomando remédios, saindo de licença médica até que saiu a aposentadoria.

Hoje estou aposentada e fazendo o curso de Constelações Sistêmicas e percebo que escolhi a mesma profissão que minha avó amava muito e que durante meus trinta anos de trabalho sempre trabalhei em lugares perigosos, com altos índices de violência. E que eu estava trabalhando para reparar meu sistema familiar, onde também existia a violência, o abuso, as drogas, o alcoolismo, assassinatos.

Lembro que tinha sonhos recorrentes desde minha adolescência, onde eu estava na guerra e estava fugindo com um menino de mais ou menos cinco anos e um soldado nos levava nos protegendo até um local onde parecia um hospital improvisado feito de lona, quando entrava via muitos feridos deitados em macas. Sempre acordava apavorada. Mas com o tempo, por volta dos quarenta anos,  este sonho passou a não me causar o pavor.

Sei que a crise de pânico que me paralisou nos últimos anos de trabalho, onde não conseguia passar do portão da minha casa e tinha a sensação de receber um tiro na cabeça e ser assassinada por um homem que era meu companheiro, marido, namorado, que me fazia morrer de medo dos homens, foi o momento em que eu precisava acordar do pesadelo do medo e me curar. O pânico me levou para o fundo do poço e me fez buscar ajuda para restabelecer minhas forças, minha saúde, minha vida. Foi a partir deste medo descontrolado que conheci muitos anjos que me ajudaram, a psiquiatra, os terapeutas, a pintura, as aulas de ioga, a constelação sistêmica que me colocaram de volta na vida que é bela, maravilhosa, linda e feliz.

 

Honro a vida e a força que vem dos meus ancestrais.

Eu digo sim para a vida!

Eu digo sim para tudo o que aconteceu.

Agora está tudo bem.

Toda doença vem como resolução de um conflito. 

A partir de agora, eu posso transformar todo meu medo em força.

Eu mereço ir em direção à minha felicidade.

Não importa o que aconteceu, eu tenho o direito de recomeçar! Bert Hellinger

           

 

 

           


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