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Temas existenciais acontecem com todo mundo

Temas existenciais acontecem com todo mundo
Márcia Regina Valderamos
nov. 3 - 11 min de leitura
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Tratam-se daquelas situações, daqueles sintomas, daquelas pequenas e simples coisas que se repetem em determinadas circunstâncias, datas, quando estamos diante de um determinado estimulo, que não nos matam, não são graves, são corriqueiras, mas chateiam, atrapalham e não nos deixam viver a nossa vida de forma plena, feliz e saudável.

Mesmo que as consideremos normais por se repetirem com todo mundo,  devemos pesquisá-las, levá-las à sério, porque tratam-se de memórias sistêmicas transgeracionais, sofrimentos vivenciados por algum antepassado nosso que não puderam ser resolvidos adequadamente na época em que aconteceram os fatos e que foram sendo passados de geração em geração até chegarem a nós.

São lições que não foram assimiladas, que não foram completadas; são situações que estão em aberto e que não foram resolvidas no sistema, estão esperando para que se cure, e que se tratadas com intervenções sistêmicas são resolvidas.

O sistema, a vida exige reparações, inclusões, olhar, acolhimento, entendimento, compreensão, sem julgamentos e ressignificação; se não dermos o devido cuidado e atenção à essas questões, sintomas por serem eles considerados normais, continuaram nos nossos descendentes, por exemplo, em um filho, um neto, um bisneto, até que alguém resolva trabalhar e ressignificar os mesmos.

Esses corriqueiros e simples problemas, quando não tratados adequada e respeitosamente, vão se agravando e, a cada geração, podem se manifestar em algum membro do nosso sistema de modo cada vez mais grave e agressivo.

Um simples resfriado que nos acontece, por exemplo, em todas as vésperas de festas de final de ano, pode vir a se apresentar em forma de tumor maligno em alguém do nosso sistema, até mesmo na sexta geração, tornando-se algo urgente.

O ser humano tende a “empurrar com a barriga” e a não se importar com esses sinais que nosso cotidiano nos dá. Mesmo que sinta fisicamente, se não o imobilizar, se não for grave, tendemos a não considerar.

Não compreendemos que é um símbolo que está acontecendo, representando algo além do aparente que precisa ser cuidado e que o momento de cuidar desse ser é quando ele está em sofrimento, verificando o que esse sofrimento está querendo comunicar, o que ele está dizendo que precisa ser resolvido, completado. Quando sentimos angustia, por exemplo, nos falta o ar e isso significa falta da mãe.

Na melancolia, que cria desequilíbrio no sistema bioquímico e pode gerar obesidade, hipertensão, problemas cardíacos, trata-se de memória transgeracional de vínculo de amor interrompido entre a família e a pátria mãe; ansiedade é a memória da falta da figura paterna.

Depressão não é só tristeza, desânimo, apatia.

Ela pode se apresentar também através de comportamentos de nervosismos descabidos, amargura, falta de alegria, falta de entusiasmo, lamurias constantes. Trata-se de memória transgeracional de orfandade de fato ou orfandade funcional (tem os pais fisicamente, mas não são o suficiente para o desenvolvimento saudável daquele ser).

Quando existe um amor doente dentro do sistema, pais que brigam, por exemplo, que são disfuncionais, que não conseguem prover o necessário ao filho em termos materiais e afetivos, é natural que esse filho venha a ser um adulto depressivo e também disfuncional como os pais.

Provavelmente esse filho teve que ficar no lugar dos pais ou de um deles, invertendo a ordem dentro do sistema. Depressão é a inversão da ordem entre pais e filhos. Insônia significa que não há segurança, memória de que é necessário vigiar, ficar atento, pois há perigo.

Para encontrarmos a origem desse campo de dor dentro do sistema familiar e trabalhar assertivamente buscando sua cura, sua resolução, devemos pesquisar não somente através dos sintomas físicos e emocionais que se apresentam, mas observar os sonhos, pesadelos, os contos de fadas preferidos, os filmes, as histórias infantis que marcaram a vida da pessoa.

Esses meios nos fornecem pistas do que aconteceu no sistema familiar desse indivíduo, pois sempre o que se apresenta no visível a olho nu é somente “a ponta do iceberg”. Sempre devemos ir além do aparente.

No meu caso, por exemplo, sempre amei os seriados de TV Bonanza, Mulher Maravilha, Xena e a história infantil do patinho feio. Olhando sistemicamente para eles e seu significado para mim, percebo que o filme Bonanza, que se passava em uma fazenda, no velho oeste americano, um lugar inóspito, agressivo, onde viviam 3 filhos e o seu velho pai.

Sem a figura materna, o filme mostra como esses homens se viravam bem sem uma mulher na casa, como eram gentis e amorosos entre si, sem palavras, só com gestos (como meu pai fazia quando podia com o olhar) sempre solidários e sociais com a comunidade em que conviviam e com as mulheres que passavam por suas vidas.

Muito românticos, apaixonados pela beleza feminina, mas acabam ficando sempre só entre eles. Se defendiam dos inimigos e eram “um por todos e todos por um” o que também era o que mais eu gostava de ver Os Três Mosqueteiros.

Dentro do meu sistema o feminino sempre foi tido como sem valia e desnecessário. É o machucado, o morto, o infeliz, o invisível.  O masculino é visto sim, muito necessário e importante, mas como se fosse uma mulher macho.

Brava, corajosa, amorosa e muito família, com muito sofrimento, obstáculos e dificuldades de se expressar afetivamente, a não ser através de ações (fazer as obrigações: segurança da família, prover de alimentos e o básico para os familiares, sempre ser forte emocionalmente) e combater os homens maus.

Os pais do meu sistema sempre estiveram ausentes, fisicamente mesmo ou estando com um corpo físico ali, mas a alma em outro lugar e não tinham postura firme, a não ser quando agressivos, fora de si. Todos sempre me pareceram solitários e distantes uns dos outros, cada qual achando que a sua dor era maior do que a de todos os demais.

Não tinham como se doar e não sabiam receber.

Nos filmes da Mulher Maravilha e da Xena, que eram muito parecidos, o enredo era sempre o mesmo: uma linda mulher com um corpo escultural, semi nua, muito desejada pelos homens e muito valente, corajosa, respeitada por homens e mulheres e que defendem a humanidade da maldade, da perversidade e defende os fracos e os oprimidos (todos aliás! Só elas eram as fortes, inteligentes e poderosas!).

Penso que a minha impotência e a minha falta de confiança deva vir dessa dor do meu sistema de as mulheres serem vistas como descrevi acima, além de terem que ficar escondidas, não assumir que são femininas e se mostrarem muito masculinizadas e só terem valor para defender quem é considerado por elas como menos, como menor, menos capaz.

Na história infantil do patinho feio, a única que eu gostava de pequena, é nítido para mim que a sensação que eu tinha de não pertencer a minha família, de não ser filha da minha mãe (hoje vejo que também tinha essa mesma impressão com relação a não ser filha do meu pai), devido a relação disfuncional que eles tinham para comigo, fez com que eu me visse naquele patinho, que na realidade depois se sabe que não era pato e sim cisne.

Que não era feio e sim diferente. Muito a ver comigo!

Sentimentos de rejeição, de desafeto, de desamor, de não acolhimento, não compreensão, de insegurança, de baixa autoestima, me fizeram ter dificuldade de encontrar minha verdadeira identidade, de ter autoconfiança e gostar de mim, do meu corpo, de como sou.

Estou buscando com intervenções sensoriais sistêmicas (Renascimento, Constelações, Florais de Bach).

Durante a minha adolescência o filme que eu mais amava assistir era O rei Arthur e os cavaleiros da Tavóla Redonda!

Ah, que sonho!

Aquela fantasia de encontrar o Graal, o cálice sagrado onde Jesus tomou seu último vinho como ser humano, aquela história de um homem,  de um rei poderoso compreender que seu grande amor ama outro que não ele e que esse outro é um subordinado seu e muito importante para a proteção do reino, por isso, o rei coloca o servir ao seu povo acima de seus sentimentos como homem e aceita  esse rapaz e o acolhe e o respeita, permitindo que se case com a mulher que seria a sua rainha, colocando o seu orgulho de lado em prol da paz do seu reino.

Esse encantamento todo me levava para bem longe da minha dura realidade de pertencer a um sistema onde as pessoas não podiam ser felizes, não podiam ter paz, pois haviam muitos excluídos, abandonados, órfãos, rejeitados. Hoje em dia não precisa mais. Estou incluindo todos eles durante meus tratamentos sistêmicos.

Já com meus 50 anos me apaixonei pela série Dr. House, porque ele representava tudo o que sempre fui: fora da caixinha, pesquisadora, teimosa, sempre achando que tem uma saída, que não pode ser só isso que se vê! Sempre fui melancólica, angustiada e depressiva.

Já fui muito mais ansiosa do que sou hoje. Estou menos perturbada, mais em paz.

Nunca aceitei absolutamente o mecanicismo, o método cartesiano de interpretação como psicóloga e na minha vida particular, com relação aos meus problemas pessoais, busco ultrapassar meus limites, mas sempre houve muita dor e muita impotência no meu sistema, e sei que ai estão as origens de algumas barreiras que ainda sinto na minha análise pessoal.

Me sinto tão atraída por buscar a cura, pela compreensão e libertação dos campos de dores meus, do meu sistema, dos que estão no meu entorno e de quem me procura profissionalmente, principalmente os que são mais sofridos mental, emocional e espiritualmente, porque sei que se não tratados nessa etapa, esses sofrimentos se expressaram de maneira agressiva no corpo físico, prejudicando também a alma cuja ressonância será maléfica, pois tudo é energia e a morte não é o fim.

Nosso corpo se vai, mas o que atingiu nossas almas ressoará nos que vierem depois de nós e nos lugares físicos por onde caminhamos enquanto estivemos vivos na terra e eu não quero mais fazer parte desse ciclo vicioso.

Verde Rustico - Adorei !!!!!

CONSIDERAÇÕES SOBRE O MÓDULO 6 – CONCLUSÃO - CURSO FORMAÇÃO EM CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS – F-1


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