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Professores e Felicidade

Professores e Felicidade

PROFESSORES E FELICIDADE

 

Neide Campos Brasil, uma “pretinha” muito magrinha, jovem quase uma menina, linda, parecia uma boneca de louça. Quando sorria, aqueles dentes tão brancos iluminavam o seu rosto e todo o ambiente como um sol ao meio dia. Caminhava com aqueles sapatos de salto altos e fininhos, como quem desfila no palco do céu. Eu, menina pobre, de chinelos havaianas sonhava ser professora e ser elegante tal como a minha querida professora. Ela foi alguém que marcou profundamente a minha segunda série primária, enquanto eu construía a certeza de que estudar me faria feliz.

Depois vieram outras professoras e professores, cada um com suas peculiaridades, mas que me faziam feliz. Lembro-me da professora Jair de Castro Jorge, ela ensinava cantar, dançar, declamar poesia e também jogar bola e brincar de roda. Tinha uma voz alta, forte, parecia ter nascido para comandar. Mas eu gostava disso.

Quando fui para o ginásio, a surpresa não foi o número de professores, mas o quanto conseguiam ser tão diferentes uns dos outros. Na quinta série eu era feliz nas aulas de Ciências, porque parecia que Heitor Romero Marques era detentor de muita sabedoria, eu já me encantava com as pessoas que amam o conhecimento. Era feliz também com a Lenice e a Lucy, elas eram irmãs e uma dava aula de matemática e outra de história, e me faziam felizes simplesmente pelo fato de estarem ali, trabalhando juntas e eu que sempre quis ter uma irmã mais nova, ficava imaginando o orgulho dos pais delas por terem duas filhas professoras.

Mas nesse período todo da quinta a oitava série ginasial, ninguém me fazia mais feliz do que a professora Albertina dos Santos. Era Professora de Português, ao contrário das outras, não era bonita, não era negra nem branca, mas tinha traços que hoje chamamos de afro descendentes. O que me encantava nela?  Vocês não vão acreditar! Ela era brava, muito brava, dava bronca mesmo. Mas ensinava como ninguém, exigia que tudo fosse muito bem feito e não admitia conversava paralela durante a aula.

Muitos colegas a detestavam, mas eu a amava profundamente, eu entendia, na minha inocência de aluna bolsista em escola particular, que toda essa seriedade era amor pelo ato de ensinar e vontade que aprendêssemos. Com ela aprendi declamar longos poemas, como Vozes d'África (Castro Alves), As Pombas, (soneto de Raimundo Correa), do qual me lembrei, cinquenta anos depois, ao ler Rupert Sheldrake.

Albertina me ensinou a gostar de ler, mostrando-me a importância dos escritores, entre eles, Machado de Assis, Rachel de Queiroz e Maria José Dupré e tantos outros. Ela também  falava de Valores, do respeito pelo outro, pela vida e pela cultura.  Eu fui tão feliz ao lado dessa professora, que para perpetuar o vínculo, convidei-a para ser minha madrinha de crisma, papel que ela assumiu e desempenhou com a mesma maestria com a qual nos ensinava.

Hoje com mais de noventa anos, quando o Alzheimer já não a permite organizar as memórias, quando me vê, ainda sorri com a mesma alegria e diz o meu nome com uma interrogação, e quando confirmo que sou eu mesma e,  peço perdão por ter ficado tanto tempo sem visitá-la, me abraça forte e sorri com a alegria de menina que ganhou presente.

Ah! Eu fui feliz por ter estudado com uma professora enérgica, firme na correção, mas de alguma forma, amorosa e gentil. Eu sou feliz, por ter, ao seu exemplo, decidido ser professora. Eu sou feliz, porque amo música, canto, dança e poesia porque a escola e as professoras me ensinaram a amar.

 

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Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Neiva Maria de Mattos
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sou Consagrada no Instituto de Jesus Adolescente, sou Feliz como Irmã, professora e Diretora, sou educadora, sou contente, sou cristã, sou alegre , sou Terapeuta Sistêmica By Olinda Guedes, (Constelações, Massagens, Oficina de emagrecimento).

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