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AQUELE QUE CUIDA TAMBÉM PRECISA SER CUIDADO

AQUELE QUE CUIDA TAMBÉM PRECISA  SER CUIDADO

A auto-suficiência é uma ilusão da nossa mente que, por medo de perder o utópico controle das coisas, cria mecanismos de defesa que, na verdade, nos fazem “empurrar a sujeira para debaixo do tapete” diariamente e, com isso, vamos criando doenças e situações doentias em nós e em nosso entorno, simples assim.

Mas, não é porque é simples que não é dolorido, como nos ensina nossa Mestra amada, a Mentora do amor e do saber amar, Olinda Guedes. Quando não cuidamos de nós com carinho, atenção e não nos damos o que nossa alma nos pede adoecemos.

Inclusive nós, os terapeutas cuidadores, servidores do cuidar do ser. Eu diria até “principalmente nós”. Claro, é por que não? O que temos de diferentes das demais pessoas? Penso até que precisamos fazer mais terapia e ir mais profundamente do que a maioria das pessoas, pois, além das nossas dores pessoais e transgeracionais carregamos, quer queiramos ou não, as dores de quem cuidamos.

Todos que passam por nossas vidas deixam suas marcas em nós. Estamos sempre revivendo perdas, distâncias, desafios, decepções, etc. e a tristeza não cuidada, não olhada, pode sim se transformar em profunda depressão, não só em relação a aquilo que nossos antepassados vivenciaram em gerações que nos antecederam, mas as mágoas e tristezas da nossa própria vida, desde a nossa concepção e até antes dela.

O terapeuta, quando descuida de si e não se trata adequadamente, tem recaídas daquilo que não foi adequadamente curado em si. A vida não admite barganhas e o amor fica a espera, até ser reconhecido, até sentir-se pertencente.

O lado bom disso, se é que podemos chamar assim, é que, em cada recaída, podemos sair mais fortalecidos e, como tudo que é repetido nessa vida, com mais experiência para poder acompanhar outros em seus processos de cura.

Porém, durante essas noites escuras, nesses desertos, nessa solidão, a caminhada é extremamente difícil, com muita cobrança interna de um  ”eu já deveria ter superado isso” daqui, outro “realmente eu não tenho jeito mesmo” dali. E isso tudo não é verdade. Estamos impotentes, paralisados nos traumas. Assim, basta se dar o direito de esperar o tempo de sair do congelamento causado por aquela dor e, ai sim, poderemos fazer os ajustes necessários com mais sabedoria.

Precisamos nos dar o direito de, como humanos, precisarmos também de ajuda e, como aprendemos com Bert Hellinger e a Mestra, pedir ajuda, sermos humildes e nos deixar sermos ajudados e fazer o que é necessário para que essa ajuda seja eficaz.

A depressão pede quietude, silêncio, recolhimento, colo de mãe, amor, muito amor e afago em si mesmo. Cama, ninho, chazinho, pequenos mimos, comidinhas leves, banhos mornos demorados, óleos, essências que acalmam e dão sensação de vida e respeito para com nossos próprios sentimentos. Se é possível fazer, ótimo. Se não é, se faz depois. Descansar, ficar consigo mesmo é prioridade.

Contudo, não ficar só, “lambendo as suas feridas”. Para essas, buscar ajuda médica, terapêutica, etc....Os sintomas não precisam crescer. Precisam dar seu recado e quando já compreendemos o que temos que cuidar em nós, eles já podem ir, não precisamos cultivá-los. Agradecemos e nos despedimos deles.

Merecemos sempre nos dar o direito de nos curar, sejamos nós quem formos.

Quando se chega ao fundo, no fim do abismo, sempre há uma única saída: Subir novamente até o topo do despenhadeiro. Pode ser desafiante, podemos nos machucar, nos ferir muito, mas se descemos, podemos subir. Sempre.

Constelações Sistêmicas

Saber Sistêmico - Comunidade da Constelação Familiar Sistêmica
Márcia Regina Valderamos
Márcia Regina Valderamos Seguir

Sou psicoterapeuta sistêmica, discípula de Olinda Guedes, psicóloga de formação, e, c a Mestra Olinda Guedes, fiz e faço Renascimento, Formação em Constelações Sistêmicas, Master, Florais de Bach, massagem reparentalizadora..

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